sábado, setembro 16, 2017

Ciao!


  
Confesso que demorei a engrenar com o livro, por falta de simpatia com a protagonista. Mas quando engrenei, valeu muito a pena.

A minha vida não tão perfeita – Sophie Kinsella – Editora Record
(My not so perfect life – 2017)
Personagens: Katie-Cat Brenner

Katie queria deixar de ser a garota de Somerset e se tornar Cat, uma vitoriosa e bem sucedida executiva do mercado publicitário de Londres. No entanto, era apenas a garota da pesquisa - ainda bem longe de ser alguém relevante, alguém como a chefe Demeter. Enquanto se vê presa no ciclo de desejar a vida que não tem e sem começar o caminho para conseguir, muitas reviravoltas irão acontecer. E ao colocar a vida no trilhos, ela vai perceber o óbvio: ninguém tem a vida perfeita. Nem ela. Nem Demeter.

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Twenty-five years and my life is still
I'm trying to get up that great big hill of hope
For a destination

- O mundo atual nos pressiona a buscar um ideal de vida perfeita. Lamentalvemente, na maioria das vezes, nunca é a que nós temos, mas sempre a de outra pessoa. Aquela coisa de que a grama do vizinho é sempre mais verde foi potencializado com as redes sociais. No entanto, a gente nunca sabe o que há realmente por trás das fotos e vídeos do Instagram. E muitas pessoas se apegam a isso de tal forma que precisam fingir que vivem o que não possuem ou não fazem. Isso gera insatisfação e em algum momento a frustração vai virar um problemão.
Mas veja bem: não sou invejosa. Não exatamente. Não quero ser a Demeter. Não quero as coisas dela. Sei lá, tenho só 26 anos. O que eu faria com um SUV da Volvo? 
- Katie queria se afirmar, mostrar potencial, se destacar na multidão... mas nem era percebida no escritório da empresa que trabalhava. Era a garota que copilava dados de pesquisas. Uau. Nada glamoroso, brilhante e vencedor. Ela queria o estilo de vida da chefe, Demeter, aquela vida cintilante de família bonita, filhos bonitos, casa perfeita, vida social esfuziante, admirada, invejada.
Mas, quando olha para ela, sinto um comichão de... alguma coisa, e penso: será que poderia ser comigo? Teria como ser comigo? Quando tiver condições, eu poderia ter a vida da Demeter? Não são só as coisas materiais, falo da confiança também. Do estilo. Da sofisticação. Dos contatos dela. Mesmo que demorasse vinte anos, eu não me importaria - na verdade, ficaria em êxtase! Se você me dissesse Olha só, se você se esforçar bastante, daqui a vinte anos terá essa vida, eu iria com tudo para chegar a esse ponto.
- Quando tudo desmorona, Katie é forçada a se reconectar com ela mesma, com a vida, com a família e com os sonhos que construiu e não realizou. É neste momento que o livro fica muito bom. Porque após das decepções, ela não percebe que está se reiventando e mudando a visão de mundo. Katie viu os sonhos de grandeza implodirem e precisou fazer o melhor possível com a realidade. E foi quando ela deixou de soar como uma chata invejosa e se tornou gente como a gente: com sonhos que gostaria de realizar, com desafios cotidianos a serem superados. Simples assim.

- Neste meio tempo, além de Demeter, vamos conhecer os colegas de trabalho e os outros que dividem a casa com a protagonista em Londres. E vocês ouviram falar em glamping? Confesso que não tinha a menor ideia do que era isso (digamos que estou lidando com uma série de “eita!” atrás de “eita!” e não está dando muito tempo de acompanhar tendências) e gostei de entender o conceito do início ao projeto final. 

- Fique bem atento porque tdo mundo tem alguma importância no amadurecimento e no desabrochar de Katie. É assim que ela vai entender que a graça da vida não está em fingir uma perfeição que não existe, que soa inalcançável e só serve para oprimir e frustrar. Está na gente encontrar a beleza nas imperfeições do dia a dia.

Bacci!!!


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