segunda-feira, novembro 13, 2017

Ciao!
Nel blu dipinto di blu
Felice di stare quaggiù

Faz um bom tempo que estou devendo este texto aqui no Literatura de Mulherzinha. Já que hoje é meu aniversário, não tem uma data melhor, né?

Se eu fosse injusta, poderia simplesmente resumir dizendo que 2017 foi (em boa parte dele) um ano carrasco. Até poderia dizer que ele está quase se unindo aos infames 1996 e 2005 - que me fizeram celebrar quando terminaram. Eu não gosto de não saber onde estou colocando o pé e o que mais aconteceu neste ano foi ficar sem chão, sem rumo e sem o que mais você quiser acrescentar nesta lista: coragem, confiança, esperança. Houve um momento em que eu realmente não sabia o que fazer para sair dos problemas que estavam acontecendo e ninguém mais poderia resolver por mim.

Ci son giorni in cui non sai che ora è né più chi sei
Provi a riconoscerti in qualche via, in qualche film
E cerci tra le nuvole un'attimo per te
È solo un inverno
Un canto notturno
Pace guerra e tregua che crescono in te
E ti vien da piangere, e vorresti correre ma resti immobile

Na verdade, não posso dizer que não entendo de onde veio tudo. Foi crônica de uma catástrofe anunciada em 19 de novembro de 2014. Não tive tempo de lidar com uma perda porque surgiu um abacaxi tamanho bomba atômica para ser solucionado. (Infelizmente, não posso dar mais detalhes porque envolvem outras pessoas). O fato é que, desde então, venho brincando de equilibrista com a minha saúde mental, física e psicológica. Porque elenquei as prioridades a serem resolvidas e, ó novidade, eu mesma não estava entre elas.

Sim, eu sei que não foi a melhor decisão - foi a única que pareceu possível na época.

Descobri que funciono tão bem no piloto automático que muita gente não percebeu o tamanho do estrago em mim mesma até eu criar coragem e falar. Descobri também que precisava falar, porque, se não eu seria a próxima bomba a explodir. Perdi muito neste período: além de alguns problemas de saúde (chegou a um ponto que eu juro que não aguentava mais ver antibiótico, anti-inflamatório, antitérmico, analgésico, antialérgico ou similares na minha frente), tem coisas que eu fazia facilmente e com gosto e que agora eu entro em pânico (sem exagero) diante da mera sugestão de voltar a fazer.

E neste ano, atingiu onde dói muito em mim: fiquei um bom tempo sem conseguir ler. Tive que me forçar a abrir livro e a persistir neles até o fim. Um ou outro conseguiu romper este bloqueio. Mas ainda estou com muitas leituras atrasadas - o que peço desculpas aos parceiros envolvidos. O Literatura de Mulherzinha não foi afetado porque eu tenho o hábito de deixar textos adiantados para qualquer emergência - o que é o caso desde junho de 2017.

Por isso, agora que as coisas estão (quase) onde deveriam e eu voltei a sentir o chão debaixo dos meus pés, o mundo vai voltar ao normal, vou ter tempo para mim mesma - e providenciar o cuidado adequado para a cabeça desta Mulherzinha que, parafraseando a "minha música" da Legião:  "consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade". Estou voltando a ler. Além disso, redefini minhas metas e posso garantir que são bem mais felizes e saudáveis - e, aham, me incluem.

Não sei se serve de ajuda para outras pessoas que também estejam enfrentando demônios exteriores e interiores, mas o que me ajudou muito neste período foi música. E justamente quando tudo piorou - oi, junho, seu chato, estou falando de você de novo - foi quando reencontrei as vozes que mantiveram seguindo em frente. Sem nenhum pingo de exagero, se consegui passar pelos dias horrorosos, ruins, mais ou menos, tediosos e bons nos últimos meses, posso agradecer ao Il Volo.

E não foi nada ao acaso. Redescobrir o talento de Gianluca, Ignazio e Piero (já tinha visto entrevistas dos rapazes e ouvido algumas músicas deles nas vezes anteriores que eles estiveram no Brasil) me fez entender que, embora perdida no meio do caos, o caminho para eu voltar ao rumo e prumo me levava lá pro início de tudo. A sonoridade italiana faz parte da minha vida desde sempre - afinal de contas, fui batizada por causa da música Roberta do Peppino di Capri, o que me deixou acostumada a ouvir meu nome no sotaque italiano.

E sempre que a maré me levava para outras praias, aparecia uma razão ou alguém para me trazer de volta: as Cose della vita de Eros RamazzottiThe Prayer do Andrea Bocelli e a Celine Dion, Equilíbrio Distante do Renato Russo, Imbranato e Sere Nere de Tiziano Ferro, Legata a un granello di sabbia do Nico Fidenco e a obsessão sem fim com Florença e Leonardo da Vinci.

(Só uma parte do meu acervo - dos "veteranos" ao Il Volo)

Deus sabe o que faz. Pra eu não me tornar um caso perdido, os recados vieram de uma forma que Ele sabia que chamaria a minha atenção. A voz de Gianluca me acalmou. A voz de Piero me deu coragem. E a voz de Ignazio trouxe a esperança de volta. Os três juntos? Só posso dizer que perdi a conta de quantas vezes ouvi Deus nas vozes e no talento deles.

Tanto que, desde então, volta e sempre, as músicas deles - sejam as originais ou as versões - começaram a aparecer nas minhas redes sociais - quando eu não publicava, outra pessoa que nem sabia que eu os estava ouvindo compartilhava (o vídeo deles cantando "Ave Maria" surgiu na minha timeline em um dia particularmente difícil). 

Se eu estiver com os fones de ouvido, 99,9% de chances de estar ouvindo alguma música do trio. Não deu para ir ao show em setembro, mas eles disseram que estarão de volta em 2018 na turnê do novo álbum e farei o possível para estar lá. Quem sabe não consigo agradecer pessoalmente?

Daylight
I must wait for the sunrise
I must think of a new life
And I musn't give in
When the dawn comes
Tonight will be a memory too
And a new day will begin

Burnt out ends of smoky days
The steal cold smell of morning
A street lamp dies, another night is over
Another day is dawning

E para deixar bem claro que a maré é outra, hoje o céu foi azul-brigadeiro onde moro. Por que isso é chocante? Porque geralmente se não chove no meu aniversário, o céu está nublado. Tanto que nem me lembro de quando foi o último ano de céu claro. E tive um dia feliz, sem sobressaltos e ainda me dei um sorvete de presente (sim, a garota que quase não toma gelado por causa da garganta, se permitiu uma deliciosa exceção, sem remorso e culpa).


E tornerà l'amore, senza far rumore e ti riconoscerà
Lascerai una luce accesa, la finestra aperta
E tornerà l'amore
Tornerà l'amore

E também vim agradecer. Afinal de contas, hoje é Dia Mundial da Gentileza. E neste período maluco que ainda estou passando, encontrei várias pessoas que estiveram por perto, me fizeram companhia, me deixaram desabafar, me protegeram e me deram demonstrações de segurança quando eu estava longe de me sentir assim.

Imagino que nem todos e todas sabem o quanto foram importantes, especialmente quando nem sabiam que estavam ajudando uma criatura confusa e assustada. Mas pode crer, foram.

Eu só sabia que tinha que seguir em frente, que tudo iria passar e, como diz a letra de Memory, que o Ignazio canta com tanto sentimento: "Quando amanhecer, a noite de hoje também será uma memória e um novo dia irá começar". Pois é, finalmente amanheceu. E vida que segue.

Obrigada a todo mundo que pensou em mim nesta segunda-feira de primavera. Ainda não consegui responder a todas as mensagens que recebi, mas estou realmente grata pelo carinho!



Bacci!!!

Beta
Reações:

2 comentários :

  1. Eu conheci o Il Volto a seis anos minha mãe antes de partir me apresentou a eles... Eu atravessei como vc momentos dolorosos e ouvi-Los acalmava minha alma... As vezes a vida acontece de forma dolorosa. Mais um dia como vc tbm amanheceu para mim... digo este blog a anos e admiro vc.

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  2. Beta, só posso dizer que entendo bem, como fã apaixonado da música italiana e alguém que está passando por um momento difícil, tudo o que você escreve. E só posso agradecer a você por ter me indicado "Il volo", pois se virei fã deles devo isso a você. Nos últimos tempos também vejo os vídeos deles direto e isso tem me ajudado muito!

    Um abraço, Renan.

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