quarta-feira, abril 25, 2018

Ciao!



Ma che, Roberta! De novo!
Sim. O Abril Imperdível #LdM13anos abre de novo espaço para “desfile das minhas obsessões” (como define #MadreHooligan). Eu prefiro o termo “paixões incondicionais”.

A música do trio Il Volo, composto por Gianluca Ginoble, Ignazio Boschetto e Piero Barone, já foi citada em outros textos do Literatura de Mulherzinha (especialmente o que publiquei no meu aniversário em 2017). 

E claro que eu não iria perder a chance de ler a autobiografia escrita pelos rapazes, ainda mais depois que consegui colocar as mãos nela. Envolveu uma encomenda frustrada no site de uma conceituada livraria, que cancelou sem se dignar a avisar e a ajuda de uma das minhas melhores amigas - grazie mille, Paty!!! - para comprar na Amazon Itália – que prometeu entregar em 22 de janeiro e me surpreendeu ao colocar o livro na minha mão em 28 de dezembro (12 dias depois da compra).

Desde então, uma leitura conta-gotas – de propósito – porque eu queria aproveitar cada palavra e sabia que tinha uma data perfeita para escrever sobre ele para o Literatura de Mulherzinha: hoje.

Un'avventura straordinaria: la mostra storia – Il Volo – Rizzoli
(2015)
Personagens: Gianluca Ginoble, Ignazio Boschetto e Piero Barone

A história de três garotos que tinham um talento incrível para a música e como que isso mudou a vida deles. Piero, Ignazio e Gianluca nem sonhavam com o que poderiam conquistar quando foram escolhidos entre os participantes de um reality show musical em 2009. Em 2015, eles contaram as suas histórias nesta autobiografia – e não tem melhor fonte do que ouvir o que aconteceu dos próprios protagonistas.

Comentários:

- Quer me ver falar sem parar? Me pergunte qualquer coisa sobre o Il Volo. É um tanto mais que tietagem, é gratidão porque eles me ajudaram durante um período muito difícil no ano passado. O talento deles me fazia levantar, lidar com o mundo e me colocava para dormir durante vários dias até que fosse possível eu conseguir a ajuda especializada de que precisava. Várias pessoas que convivem comigo já perderam as contas de ter me ouvido dizer que se não desmoronei foi por causa deles.

- Para quem caiu aqui de paraquedas, explico: Piero Barone, Ignazio Boschetto e Gianluca Ginoble são três cantores italianos que cantam pop-ópera (na prática mistura elementos do estilo clássico com música popular). Já tinha visto o trio cantar na TV quando eles vieram ao Brasil em 2015 e fiquei embasbacada como garotos tão novos tinham vozes maravilhosas. Mas fui pesquisar mesmo a partir de junho do ano passado e só fiquei mais impressionada ainda.


- A narrativa do livro é dividida entre os três e segue a cronologia da vida deles, desde a infância até pouco depois da participação do Eurovision. Claro que eu já tinha encontrado muitas coisas nos sites de fãs, mas tem outro gosto ouvi-los contar as próprias histórias. E como o livro é em Italiano (não tem versão em Português), não teve nem mediação, além do meu conhecimento enferrujado (faz dez anos que concluí o curso de Italiano, né?) e de algumas consultas ao dicionário quando eu não entendia algo.

- Por isso, entendo que todos eles tiveram bases familiares sólidas e encontraram apoio quando perceberam o talento para a música: Piero e Gianluca tiveram os avôs como os maiores incentivadores. Todos eles eram de famílias de trabalhadores – a de Ignazio morou em várias cidades entre Toscana, Emilia-Romagna e Sicilia, sempre em busca de melhores oportunidades. (pesquise a situação política-econômica da Itália na internet para ter mais detalhes). Piero estudava já pensando no canto clássico e em ser maestro. Gianluca gostava de cantar, mas era tímido de doer. Ignazio fazia mil e uma atividades – entre elas a música. Participavam e se saíam bem em concursos regionais (Ignazio até disse no livro que não sabe como ele e Piero não se enfrentaram em nenhum concurso antes do programa de TV, porque a essa altura ele também morava na Sicilia e as competições eram basicamente as mesmas).


- Aí veio o reality show Ti Lascio una Canzone entre abril e maio de 2009. Os três contam como foram escolhidos para o programa e os bastidores da participação: Piero e Ignazio ficaram amigos de cara; Gianluca se emocionou quando a produção exibiu um vídeo do Andrea Bocelli (de quem ele era fã e sabia todas as músicas) o elogiando. E os três se destacaram na disputa (se quiser entender do que estou falando: GianlucaPiero e Ignazio). Um produtor teve a ideia: por que não cantarem a mesma música? Eles contaram como foi o susto ao receber ‘O Sole Mio dividida em três partes, como a estudaram para cantar e o resultado foi ao ar no dia 25 de abril de 2009 - aham, há nove anos!

- Os rapazes contam como isso foi o ponto de partida para a carreira conjunta. A emoção do convite para trabalhar com Michele Torpedine que cuidou da carreira de muita gente famosa (tanto que virou livro Ricomincio dai Tre – sim, quero ler). E, sim, explica como surgiu o nome do trio. Então imagina o que representa para três adolescentes começarem a viajar o mundo. Fácil não foi – ainda mais para quem, mal, mal tinha saído da região onde foi criado ou do ambiente familiar – mas era o caminho para transformar o sonho de viver da música em realidade.


- A história só comprova o óbvio: nada cai do céu. Foram dias longe da família, dos amigos, foram turnês feitas sem estar 100% de saúde, muito estudo – não adianta ter a voz se não sabe usar. Os garotos cresceram, mudaram fisicamente, amadureceram e foram muito mais longe que poderiam imaginar no sonho mais otimista (só um exemplo: observem a reação das pessoas - inclusive dos candidatos - no American Idol em 2011, que foi a primeira aparição deles na TV norte-americana). E precisaram estabelecer uma relação de confiança entre três pessoas com temperamentos completamente diferentes (fiquei surpresa em perceber que não era quem eu esperava que tinha o “gênio mais difícil”), com os pontos fortes e fracos e como fazer isso funcionar em grupo: em uma parte, o Piero explica exatamente como cada um age dentro do trio. E o Ignazio explica, pelo menos duas vezes, as diferenças entre as vozes deles.


- Gostei de detalhes: Gianluca falou do motivo de gostar de tirar fotos, sobre a facilidade com idiomas (que eu já tinha reparado que ele era o que melhor entendia o Português nas visitas ao Brasil) e em como ele é otimista. Piero contou que foi o único a gostar de cara de Grande Amore. E juro que vou me conter sobre tudo que adorei saber sobre Ignazio. Eu também adoro Piero e Gianluca, mas a melhor forma de explicar porque prefiro Ignazio é porque o jeito que ele canta consegue me aquecer nos dias mais difíceis. Os competidores viraram irmãos – tem uma passagem que dá a real dimensão do que este vídeo gravado durante o concerto no Radio City Hall em 2013 representa. Ah, tem uma Roberta citada no livro! (Se não fosse tão medrosa, teria soltado foguetes).

- Diz o ditado popular que “ninguém é profeta na própria terra”. Aqui também é verdade. Os rapazes são amados na América do Sul (México, Brasil e Argentina são destinos obrigatórios nas turnês deles), mas há quem os critique – em alguns casos, até de forma inexplicavelmente grosseira – na Itália. Se eu não tivesse visto os comentários e lido as matérias, juro que não acreditaria. Para estas pessoas, igualmente sem talento é Andrea Bocelli. Sinceramente, eu desisti de perder tempo com os haters, porque o padrão deles é inexplicável para mim, que gosto das coisas, pessoas e obras que me emocionam, simples assim.


- Por que fiz esta introdução? Para explicar a importância do festival de Sanremo na carreira do grupo. É o mais tradicional festival de música do país, que classifica o vencedor para o Eurovision. Com Grande Amore – a música que só o Piero gostou –, eles venceram Sanremo e foram para o Eurovision de 2015  onde, embora não tenha ocorrido tudo do jeito que eles imaginaram, acabou sendo como tinha que ser.

- O livro tem o mesmo nome de um show na Arena de Verona transmitido pela RAI em 2016. Espero que eles lancem uma sequência contando os bastidores do projeto “Notte Magica”, gravado em Florença em 2016,  que foi um tributo ao primeiro concerto dos Três Tenores nas Termas de Caracalla (Copa do Mundo de 1990. Esse eu não vi. Mas os concertos de 1994 e de 1998 eu fiz questão de ver na TV. Uma palavra: inacreditável). Atualmente, as fãs estão (nem tanto) pacientemente esperando o lançamento e as novidades do novo projeto – um álbum pop totalmente voltado para o ritmo latino (e se for verdade que terá a participação do Tiziano Ferro em uma das faixas, sintam-se à vontade em me imaginar tendo o maior ataque de tiete de todos os tempos... Ninguém vai ver, mas eu terei).

- Foi uma leitura gostosa de fazer, me ajudou a tirar a ferrugem do meu Italiano (recorri menos ao dicionário do que eu esperava), me ajudou a perceber em quais pontos a minha intuição estava certa, me revelou muitas surpresas sobre a jornada dos rapazes e me deixou ainda mais interessada em ir ao show deles, como prometi a mim mesma (e já tenho companhia) na próxima vez que vierem ao Brasil. Talvez, quem sabe, o universo não conspira e eu consiga entrevistá-los? O fato é que eu tenho certeza de que conseguirei dizer como o talento deles se tornou uma das coisas mais importantes na minha vida e agradecer que tiveram a coragem de transformar o sonho deles em realidade – para a felicidade de pessoas como eu.



- Links: Goodreads livro; Amazon Itália; site oficial do grupo; sites de fãs: All About Il Volo e Il Volovers BrasilianeIl Volo no Literatura de Mulherzinha.

Bacci!!!

Beta

ps.: E eles são muito engraçados - o que não falta é vídeo de "marmotas" deles durante os shows. Ou em algumas entrevistas, como o Carpool Karaoke Itália.

ps.: E risquei mais um livro da Meta de Leitura de 2018. Embora eu já sei que volta e meia vou reler :)
Reações:

2 comentários :

  1. Eu ouço eles desde 2011 minha mãe me os adorava. Amei ver sua resenha.

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    1. Eu descobri o grupo quando foram pela primeira vez ao Altas Horas, mas passei a ouvi-los no ano passado. Não saem da minha playlist de jeito nenhum!

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