sábado, maio 05, 2018

Ciao!



Tem livro que parece fininho, mas quando você percebe tem tanta história...
Eu fiquei surpresa com a capacidade da autora em condensar tantos sentimentos em tão poucas páginas.

O homem de lata – Sarah Winman – Faro Editorial
(Tin man - 2017)
Personagens: Ellis, Michael e Annie

Ellis sempre quis encontrar um sentido para a própria existência, mas acabou se conformando com o caminho que parcialmente escolheu e parcialmente o empurraram. Ao encontrar razões para questionar os rumos que tomou, começa a se lembrar do de detalhes que eram importantes e de pessoas que marcaram sua vida. O resgate do que ele sabia ou pensava saber – nem sempre doce, nem sempre amargo – que a gente acompanha nesta história

Comentários:

- O livro se passa na Inglaterra, caminhando por diferentes décadas. Acompanhamos desde o início da adolescência até a maturidade de Ellis Judd. Ele acaba sendo tanto protagonista quanto coadjuvante da própria história. Protagonista porque os outros dois – o melhor amigo e primeiro amor Michael e a esposa Annie – gravitam em torno dele. Nós aprendemos muito sobre os dois pelos olhos e lembranças de Ellis.

- Coadjuvante porque muitas das decisões da vida de Ellis não foi ele quem tomou, mas tomaram por ele. Tanto que ele percebe isso – das coisas de que abriu mão “por mal” – ao longo da trajetória, por circunstâncias que, a princípio, escapavam do controle dele, mas depois ele tinha autonomia para modificar.

- Fala de perdas – não apenas materiais, mas emocionais e, de certa maneira, até espiritual (quando a pessoa se sufoca de tal forma que não consegue ver mais cor em nada) – fala de saudade, fala de melancolia, fala do que foi e do que poderia ter sido. Fala também que existem várias formas de amor e, que muitas vezes, as pessoas não se dão conta de tudo que possuem até o momento que deixam de ter.

- Fala de resgate: como recuperar a si mesmo diante de tantos vazios e ausências, como lembrar as coisas que davam gosto, sentido e cor à vida e que foram perdidas/esquecidas/abandonadas pelo caminho. Às vezes, não é questão de empreender uma busca por um coração, mas aprender a encher de sentimentos o que recebeu ao nascer.

- Temos o contraponto de Ellis em Michael. O garoto que tinha perdido tudo foi quem teve coragem de encarar o mundo sem esconder a sua verdade de si mesmo. Claro que tudo tem um preço, mas ele foi atrás do que quis, com quem quis e sempre sem esquecer as lembranças do verdadeiro amor. E mesmo entendendo que nada permanece o mesmo, ainda encontrando um lugar para si mesmo – importante e, de certa forma, respeitado e imprescindível – no novo contexto.

- E tudo isso coube em 156 páginas: simples, os sentimentos, as ausências e entrelinhas costuram a trama. A autora se poupa de palavras e cenas desnecessárias. Ela não precisa escancarar as alegrias e dores dos personagens. A gente entende. Eu, como uma prolixa assumida, admirei essa capacidade, de contar coisas tão profundas para os personagens de forma tão simples: tudo que você precisa entender para ter empatia pelos personagens está ali.


Arrivederci!!!

Beta

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