sábado, maio 26, 2018


Ciao!


Ah, uma escorpiana em crise quando a vida sai do controle.
Compreendo perfeitamente.
A diferença é que não encontrei nenhum Júpiter – nem nenhum outro planeta do sistema solar, Plutão incluído (já que ele é o regente do meu signo) – para me ajudar. Seria bom ter um apoio para dar folga aos rapazes do Il Volo!

Sol em Júpiter – Lola Salgado – Harlequin
(2018)
Personagens: Sol Leão, André Carranza e Júpiter

A vida da youtuber Sol Leão parecia perfeita nas fotos do Instagram ou nos vídeos do Youtube: com 6 milhões de seguidores, o corpo bonito, morando de frente para o mar e ter encontrado o noivo perfeito em André, também youtuber. Só que na vida real ela enfrentava dúvidas e lidava com a insegurança, não aproveitava tanto a vida quanto divulgava e estava remoendo uma série de eventos desafortunados que incluiu um flagrante de um estranho em situação constrangedora... E quando as coisas começam a desandar, Sol vai descobrir o que é real e importante na própria vida.

Comentários:

- Eu costumo gostar de livros de pessoas enfrentando perrengues em série, especialmente quando costurados com humor, porque, bem, me ajuda a encarar os meus perrengues. Confesso que não sou o ser humano mais atento à rotina de youtubers, mas achei interessante a autora usar a protagonista para discutir a confusão causada entre real e “real-virtual”.

- Com a explosão das redes sociais, o fenômeno da “grama do vizinho é sempre mais verde” piorou. As pessoas encontraram formas de expor a própria rotina e nem sempre o que está nas imagens compreende à real situação enfrentada por elas. E isso causa resposta nos outros – seja os que se identificam ou os que odeiam, em alguns casos, o simples fato da pessoa existir. Regra básica para quem trabalha com internet: nunca leia os comentários. Muitas vezes, você vai encontrar o pior do ser humano (sério, eu fico me perguntando como alguém é capaz de encontrar tempo livre para escrever absurdos nos comentários. Não é possível que eles não tenham algo de produtivo para fazer).

- Enfim, a Sol vai se confrontar com isso quando iniciar uma maré de “eventos desafortunados” que a fazem questionar a vida que ela leva, a que aparenta levar e o noivado com André, outro youtuber, um homem lindo, aparentemente perfeito, mas que gosta de falar de si próprio e parece ser incapaz de escutar e compartilhar os problemas dela. Em que momento o meio que ela encontrou de expressar suas dores e a ajudar a viver fez com que ela se tornasse alguém que aparentemente vivia?

- Aí ela conhece Júpiter, que tem uma vida totalmente diferente dela. Outros problemas e outras metas. Só sabia que ela era a garota com quem se encontrou duas vezes em situações a) constrangedora e b) inesperada. Há uma química imediata entre os dois, que sabem que não podem ser mais que amigos. Através de Júpiter, Sol começa a lembrar o quanto de bom tem no que faz e, por tabela, o quanto está deixando de fazer por uma vida que não é a dela.

- Não vai ser um caminho fácil. Haverá decepções, julgamentos, preconceitos e traumas a serem enfrentados. Podem acreditar numa coisa: nunca queiram, em hipótese nenhuma, saber o que é sofrer um ataque de pânico e ansiedade. Não é legal, não é divertido, não é frescura, não é piti, nem falta de fé (seja qual for) em Deus. Então se encontrarem alguém nesta situação, ofereçam sua empatia e ajudem sem julgar, ok?  E se quem estiver lendo este texto, estiver passando por isso, busque ajuda especializada. Não é fraqueza. É necessidade. Tem tratamento para te ajudar a superar os dias mais difíceis rumo aos melhores, ok?

- Confesso que não esperava tanta coisa neste livro. Gostei dos dois protagonistas – a escorpiana descompensada e do rapaz com vida real demais para enfrentar e sonhos que não sabia se podia realizar. Gostei de acontecer em Florianópolis, um cenário diferente dos habituais na literatura nacional. Gostei de ter esta mensagem para a gente aprender a valorizar nosso melhor e saber que não existe ninguém perfeito dentro ou fora das redes sociais. E buscar aproveitar cada dia da própria vida com o que ela oferece de melhor.


Bacci!!!

Beta

Reações:

Um comentário :

  1. Beta, fico feliz que tenha gostado tanto da história! O que, infelizmente, não se passou comigo.rsrs Eu amei o Júpiter e por ele o livro valeu a pena. Leria de novo apenas por ele, embora a autora não tenha dado ao personagem o destaque necessário. Todavia, achei a Sol extremamente superficial. Ela não me transmitiu a verdade dos seus sentimentos, não fez com que eu acreditasse nela. Duvidei até mesmo do seu amor pelo Júpiter.

    E a autora não explorou a síndrome do pânico e a ansiedade de uma forma que compensasse jogar tais temas no livro. São assuntos sérios. Eu convivo com a ansiedade e sei como cada dia é difícil e a forma como os livros me dão um escape, um alívio. Já "tive" síndrome do pânico (graças a Deus a última crise aconteceu no primeiro ano do blog e de lá para cá consigo me manter sob o controle, ao ponto de acreditar que estou livre desse problema). Quando falou da cena de bullying eu me comovi, mas foi só. Não deu para me identificar com a personagem ou dizer que ela representava as pessoas que sofrerem de síndrome do pânico/ansiedade. Enfim... Eu não fui muito com a cara da Sol, como você pode ver.kkkkkkk...

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