domingo, setembro 09, 2018


Ciao!

Confesso que demorei para me conectar com o livro. Talvez por eu estar em um momento diferente dos personagens. Mas o desfecho foi diferente.

Hippie – Paulo Coelho – Paralela
(2018)
Personagens: Paulo e a viagem para o Nepal

Nos anos 1970, Paulo sonhava em ser escritor. Para isso, fugiu da vida convencional e do que era esperado para ele e partiu para conhecer o mundo, ter experiências e aprender mais sobre si mesmo e sobre os outros. Nesta busca por conhecimento, passa por maus e bons momentos até embarcar em um ônibus com um destino que prometia ser revelador: Kathmandu, no Nepal.

Comentários:

- Pode não parecer, mas antes de ter o Literatura de Mulherzinha, eu li muitos livros do Paulo Coelho. Alguns realmente me marcaram: Brida, O Alquimista, Monte Cinco. E de pelo menos dois tenho recordações de ter vivido dificuldades para embarcar na história: Diário de um mago e O demônio e a Srta. Pryn.

- Hippie ficou em cima do muro. Não tenho um motivo racional – não é difícil de ler, como vocês viram, eu estou acostumada com a escrita do autor (embora fazia tempo que eu não lia algo novo dele – fiz a releitura de O Alquimista há dois anos), a jornada em busca de si mesmo é tema de outros livros que eu gosto. O que eu posso dizer é que não estava em um bom momento emocional quando comecei a ler – e um capítulo específico (o que relata a tortura durante o período militar) me fez parar. Fiz uma pausa estratégica, fui ler outras coisas que mudassem minha sintonia e nesta semana retomei a leitura. 
Se ficarmos em silêncio por uma hora, vamos começar a escutar Deus, pensou Paulo. Mas, se gritarmos de alegria, Deus também nos escuta e virá até aqui nos abençoar. 
- A dificuldade inicial foi recomeçar a partir disso, não tinha uma conexão com o livro. Demorei para embarcar na história, mas quando a viagem no Magic Bus começa e o foco se amplia apresentando novos personagens e as respectivas motivações para a viagem até o Nepal, eu me vi devidamente “embarcada” na viagem. Curioso que vários textos destacaram a parte que ele narra a tortura, mas eu achei mais importante os momentos onde ele cita a depressão e onde ele cita experiências que mudam propósitos de vida. Faz parte do processo encontrar os trechos que ressoam mais ou menos em quem lê, né?

- Paulo Coelho narra a partir de episódios que aconteceram com ele (alguns nomes foram alterados, fatos foram condensados) o momento em que decidiu partir em busca de si mesmo. Nos anos 1970, quem escapava das convenções era rotulado de hippie – e antes disso virar “moda”, não era uma coisa bem vista. Aliás, converse com alguém mais velho (e conservador) e grandes chances de aparecer gente suja, sem rumo da vida, drogados, confundem liberdade com promiscuidade, más influências bla bla bla. Sim, há fundo de verdade no estereótipo, mas como tudo na vida, não dá pra reduzir tudo a um rótulo. 
Aprenda a caminhar no deserto. Converse com o coração, porque sobre as palavras são apenas acidentais – e, embora você precise delas para comunicar-se com os outros, não se deixe trair por significados e explicações. As pessoas escutam apenas aquilo que querem, jamais tente convencer ninguém, siga apenas o seu destino sem medo – ou até mesmo com medo, mas siga o seu destino. 
- E nesta viagem, cada momento pode trazer um aprendizado diferente. Seja sobre si mesmo, seja sobre como enfrentar situações extremas e os próprios medos, seja em lidar com pessoas diversas e saber conciliar, seja em admitir as próprias fraquezas e virtudes. Ver a si mesmo é difícil, porque estamos sempre prontos a apontar os defeitos nos outros, mas nem sempre é fácil admiti-los para nós mesmos. No fundo, sempre dizem que a jornada se torna mais importante que o destino – neste livro, isso faz muito sentido. 
Caminhem juntos, bebam e se alegrem com a vida, mas mantenham distância para que um não precise amparar o outro – a queda faz parte do caminho, e todos precisam aprender a se levantar sozinho. 
- Pegue as suas convicções, deixe a alma aberta para novos aprendizados e faça a Dory: continue a nadar. Em algum lugar vai chegar – e pode ser melhor que você esperava. Talvez tenha sido essa a lição que Hippie deixou para mim.


Bacci!!!

Beta

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