domingo, janeiro 27, 2019

Ciao!



Praticamente um ano. Esse foi o tempo que demorei para ler este livro.
O motivo? Eu vi a sinopse, não era o que eu esperava e eu fiquei com medo.
No fim das contas, descobri que o medo era totalmente infundado.

Contra todas as probabilidades do amor – Rebekah Crane – Faro Editorial
(The odds of loving Grover Cleveland – 2016)
Personagens: Zander Osborn, Grover Cleveland e outros integrantes do acampamento Pádua

Zander foi matriculada pelos pais no acampamento Pádua, um local que recebe adolescentes “com estado mental ou emocional alterado” durante o verão. Ela conhece outras garotas e garotos com variadas formas de enfrentar o mundo que não estão dando certo. A expectativa do acampamento não era curar ninguém, mas ser um apoio para o autoconhecimento que permite que eles redefinam seus rumos e se tornem de si mesmos.

Comentários:

Às vezes as pessoas estão perdidas porque têm muito medo de olhar para o caminho. Às vezes as pessoas evitam a estrada por temerem o que possa existir. É mais fácil permanecer nas sombras e só observar.
- Trabalho em equipe. – Eu dou de ombros. – Kerry disse que quando perdemos alguma coisa nós a encontramos mais facilmente se pudermos contar com a ajuda de outra pessoa 
- Se você acompanha o Literatura de Mulherzinha, pode ter visto os textos que publiquei nos meus aniversários de 2017 e de 2018  – que estão diretamente relacionados a minha reação inicial a este livro: o medo. Afinal de contas, eu temia o impacto de ler sobre pessoas que lidam com as diferentes manifestações de um estado mental ou emocional alterado, porque eu sou uma. Comecei o tratamento e me encontrei. Um dia de cada vez, sabendo que tem dias bons, ótimos, insossos e os não tão memoráveis assim. Mas que como Chico Xavier aprendeu e compartilhou conosco – “Tudo passa”. Se vale para as coisas boas, também vale para as ruins.

- No entanto, chega o momento em que a gente entende que teme o “não saber”. E a ignorância cria/agrava os monstros que já enfrentamos sozinhos. Aproveitando o gancho da campanha “Janeiro Branco”, que fala sobre como lidar com os sentimentos e não comprometer a saúde mental (saiba mais), eu sabia que tinha que ler este livro. 
- A prática de tiro com arco tem a ver com precisão e paciência – Hayes pisca lentamente. – Mais ou menos com a vida. Nós inspiramos e miramos. E então nós expiramos e disparamos. No tempo certo. Não tem a ver com acertar o alvo, nem com o caminho que nos leva ao alvo. Assim como acontece na vida, depois que você atinge o alvo sempre haverá outro diante de você.” 
- Sim, a autora aborda a jornada de personagens, em especial, os adolescentes, que estão enfrentando problemas emocionais sérios – e os resultados são prejudiciais a eles mesmos. Ela conseguiu humanizar e dar destaques a todos (imagino o trabalho de pesquisa que ela teve para nos mostrar com delicadeza e cuidado ou direto ao ponto quando necessário). Ela consegue que a gente sinta empatia por eles, porque fica claro que cada um tem uma situação muito séria para enfrentar e resolver.

- Assim como do lado de cá, onde não é ficção, percebemos que a situação é bem mais complexa que tachar de “aborrecente” ou de “loucos”. Aliás, rótulos demonstram preguiça em comprar a briga e o desgaste de ser assim todo dia, porque não existe cura milagrosa – lamento informar.

- O livro é dividido conforme as seis qualidades essenciais que os criadores do acampamento consideram que todas as pessoas devem possuir. A gente percebe a manifestação ou não de cada qualidade ao longo da trajetória dos personagens, os avanços, os recuos, as dores, os desafios, as traições, as pequenas alegrias, os medos. Não faltam sentimentos nesta história, principalmente de quem os nega.

-  Ah, não existe pessoa imune: todos carregam suas cotas de dores. Muitas vezes estamos tão concentrados em nós mesmos que não percebemos como impactamos ou deixamos de afetar os outros.  

- Zander, Grover, Bek, Cassie, Dori, Katie, Hannah perderam algo que desfez o sentido da vida para eles. Todos sofrem. Muitos ainda não estão prontos para admitir ou entender que é possível ser ajudado e se ajudar no processo. Ao longo das cinco semanas, a gente percebe como eles vão se “descascando” para a vida, aprendendo que encarar os sentimentos pode doer, mas pode libertá-los do peso que os oprime.

- No fim das contas, amei a história. Entendi que meu medo em ler era fundamentado na ignorância de não poder controlar como reagiria a ele. Por um lado foi uma perda de tempo digna de nota por um motivo inexistente – afinal de contas, em que momento a gente consegue total controle sobre a nossa própria vida? Por outro lado, foi ótimo, porque agora estava pronta para desfrutar de toda a narrativa – especialmente das entrelinhas que costuram a jornada deles com a minha.   
“Nós rezamos a Santo Antônio de Pádua para pedir três coisas. Que o que foi perdido seja encontrado. Que a alma seja livre. E que a vida seja duradoura.” 
Assim seja.


Arrivederci!!!

Beta

ps.: Se você não entendeu ou não sabe a relação entre Santo Antônio e coisas perdidas, leia aqui.
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