terça-feira, abril 09, 2019

Ciao!




Confesso que ouvia Charlie Brown Jr, gostava das letras, mas não tinha a ligação como sei que várias outras pessoas possuem com a banda.

O interessante de ler o relato da Graziela – a Grazon do Chorão – é ter certeza de que a gente não faz a menor ideia do que as outras pessoas carregam em si mesmas.

Se não eu, quem vai fazer você feliz?: minha história de amor com Chorão - Graziela Gonçalves – Paralela
(2018)

Graziela conheceu o garoto que era totalmente “inadequado” para ela: andava com a turma do skate, já tinha sido casado e um filho. Algo aconteceu e eles se apaixonaram. Mas não houve um “felizes para sempre” – porque a vida real não é um conto de fadas.

Graziela foi a companheira de Alexandre Magno Abrão, o Chorão, vocalista e líder da banda Charlie Brown Jr. por mais de uma década

Ela narra toda a história que viveu ao lado do Alê – o início, o encantamento, as crises, as separações, os bons momentos, as vitórias, as derrotas, os sonhos, as frustrações e como o vício o levou a morte.

Grazon – como ele a apelidou – narra as lembranças de um Alê pouco conhecido pelo público, que ela encontrou e por quem se encantou antes da fama, antes de mesmo existir o Charlie Brown Jr. Rememorou como ele buscou e descobriu uma identidade própria, em som e letras, que tornaram a banda diferenciada do que havia no mercado e em consonância com um público que se identificou com e como eles cantavam e tocavam.

A gente sempre ouve dizer que a fama é transitória. Alguns, com certeza, dirão que é “mimimi” de quem já não é mais famoso. No entanto, o que não faltam são relatos de que a fama não trouxe paz de espírito.

De acordo com Graziela, ela testemunhou que Chorão queria dar orgulho ao pai, conseguir estabilidade para a família e se viu sobrecarregado por muitos problemas que aconteceram – e outros que ele ajudou a acontecer, ao não saber lidar com algumas situações. Somado a um sentimento que ele possuía, a situação se agravou ao ponto de abrir as portas para o vício em cocaína.

Não pense que o livro é triste, porque não é. Pela minha experiência com a dor de uma perda precoce, é aquele momento no luto em que a gente se torna capaz de olhar para trás, rememorar a história sem sentir que precisa se atribuir culpas pelo que houve com a outra pessoa. Ela mesma cita isso, que passou muito tempo na fase do “e se...” – mas lembra os bons momentos, os pequenos gestos que pertenciam apenas a coisas que os dois viveram longe do olhar público.

Cinco anos depois de perder o companheiro, ela conseguiu fazer esse apanhado da história dos dois. “Dias de luta, dias de glória” como conta, com toda a luta até a banda se estruturar, se firmar e fazer sucesso. A vontade de continuar uma mulher independente, mas como sempre terminava gravitando em torno dele e da banda. E isso tudo, relatando, pelo amor que ela descobriu por ele, no primeiro encontro. Quando ambos perceberam que havia uma sintonia de almas por mais diferentes que fossem.

O subtítulo deixa claro: é uma história de amor, com os altos e baixos, com os ciúmes, com as crises, com os momentos de ultimato, com as perdas, com as incertezas, as desavenças com os outros músicos da banda, com as músicas que se tornaram relatos destas vidas entrelaçadas, com dois gatos adotados, com a forma de enxergar Deus, a vida, a morte. Narra como foi se apaixonar por uma alma inquieta, inteligente, criativa, volátil, explosiva, romântica, apaixonada. E como foi adoecer junto com ele e tentar fazer o possível junto com outras pessoas ao perceber o homem que amava desaparecer por causa do vício em drogas.

Foi uma história real que Graziela sentiu que precisava compartilhar, até mesmo como resposta a quem atribuiu a morte dele em 6 de março de 2013 ao fato de estar separado dela. É uma história que deve acalentar os fãs que Chorão cativou ao longo da jornada da banda. É uma história que ressoa em quem está vendo alguma pessoa amada sofrendo por causa de drogas. Ela mexeu nas lembranças e nos sentimentos que despertavam para cumprir uma promessa. 
“Diz que é possível ter um sonho e chegar lá. Mas tem que querer de verdade, ter coragem e persistência, porque não é um caminho fácil. Fala de todas as dificuldades, que tem que manter a cabeça no lugar e ficar esperto pra não cair nas armadilhas. E você sabe que eu caí em algumas. Mas cair faz parte. O importante é levantar e continuar na luta. Tem que manter a humildade, nunca deixar as vitórias subirem à cabeça. Tem que tomar cuidado com o ego. Se você alimenta esse bicho, ele acaba te dominando e virando seu pior inimigo. Mostra pra eles que eu também sou de carne e osso, que tenho os meus defeitos e fraquezas, que nem sempre eu consigo ser o cara que gostaria. Como qualquer pessoa, estou tentando ser melhor, evoluir, mas ainda erro pra caramba e me sinto um aprendiz diante dia vida. Você faz isso por mim, Tiri?” 
- Links: Goodreads livro e autora; site da editora; Skoob.

Arrivederci!!!

Beta

ps.: Se você for parente ou estiver próximo a uma pessoa dependente química, busque amparo - como o programa Amor-Exigente ou orientação médica especializada - para poder apoiá-lo.
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