sexta-feira, abril 12, 2019

Ciao!


Falar de amor é complicado demais. Porque parece ser um sentimento que não cabe em palavras. Porque outros não vão achar “legal”.
Falar de amor é importante, em um mundo onde ele se mostra cada vez mais necessário.

Até onde o amor alcança: sobre escutar mais & outras coisas que nunca falei – Julio Hermann – Faro Editorial
(2019) 
Eu não sei qual o exato momento em que me permiti sabotar a mim mesmo. 
Julio Hermann divide as crônicas em três partes – que compreendem diferentes estágios de um relacionamento. Em poucas páginas, que se costuram por sentimentos que, em algum momento, quem lê já vivenciou a chegada e a partida em um relacionamento.

Em histórias curtas, percebemos a “ressaca” da despedida de um relacionamento, quando todos passam pelo momento obrigatório de ressignificar a vida sem o outro ao lado. Por algum tempo nos tornamos parte de algo e agora voltamos a ser nós mesmos – por mais individuais que sejamos, sempre alguém nos rotula como o “sr/sra”, “parceiro(a)” de alguém. Sem contar as expectativas criadas, os sonhos e planos feito a dois que passam a não ter mai sentido. E ainda todas as lembranças que parecem surgir quando a gente menos espera (creiam: isso pode ocorrer anos depois, falo por experiência). 
Eu nunca vou me esquecer de quando você me disse que o amor tinha a ver com a escolha de se permitir sofrer pelo outro. Às vezes machuca, faz a pele rasgar e rompe as fibras dos músculos em duas partes, mas é preciso. O que não aguenta uma pancada não foi feito para durar, não é? 
Aí surge a chance de outra história e, com ela, as dúvidas, os famigerados “e se...” e “será que”. É um passo que talvez não esteja preparado. E nem que a outra pessoa queira embarcar em navio à deriva em busca da própria bússola.

Mas as coisas acontecem e quando você menos espera se vê em uma outra jornada, com sentimentos conhecidos embora diferentes. E enfim deixa de fazer comparações imediatas, passa a vivenciar o momento, os novos desafios. Aprender o seu novo ritmo. Descobrir o ritmo da pessoa que passou a conviver contigo. As pequenas e grandes coisas.

Só que nem sempre a vida segue o roteiro de um “happy end”. Às vezes, as histórias foram feitas para serem transitórias e trazerem aprendizados para a nossa vida.

O livro tem um projeto gráfico encantador. Se o anterior era marcado pela cor azul, este viaja brincando em tons de vermelho, não muito forte, branco e rosa. Bem a ver com a história.

Até onde o amor alcança me fez ter uma lembrança bem curiosa... Eu devo ter alguma coisa com mensagens escritas em muros. “Helena, te amo como as estrelas no céu, para sempre e eternamente” estava no muro do Museu Mariano Procópio na Avenida Brasil aqui em Juiz de Fora. Eu a via no caminho para a escola durante anos. Sempre me perguntei quem seriam as pessoas envolvidas nesta história de amor.

No ano passado, a caminho do trabalho eu vi que alguém escreveu “Te amo” numa parede de chapisco. Até pensei em tirar fotos, mas sempre passava de ônibus e não consegui. Não demorou muito tempo, o dono da casa apagou a mensagem.

O que mudou entre a Roberta que viu a primeira mensagem e a segunda? A experiência. Aprendendo a entender o amor que existe não a versão idealizada e irreal. Provavelmente tem a ver mais com o muro de chapiscos do que com o romance infinito do muro do Museu.

O bom é que existe e que a gente não pode desistir ser alcançado por ele. 
Obrigado por entender isso comigoE por me mostrar que a única beleza que as trevas têm está do lado de fora delas. O amor também é sobre nos exorcizarmos.


Bacci!!!

Beta
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