sábado, setembro 21, 2019

Ciao!!!


É um livro que parece fofinho e descompromissado. Só parece. Afinal de contas, ele trata de seguir a vida após um episódio grave que minou a confiança da protagonista.

Um jogo de amor e de sorte – Beth Reekles – Astral Cultural
(Rolling Dice - 2019)
Personagens: Madison “Dice” Clarke e a vida nova na Flórida

A família de Madison se mudou para a Flórida e ela encara a oportunidade como a chance de começar sem todo o sofrimento e trauma que sentiu enquanto morava no Maine. Ela não era fisicamente a mesma pessoa, mas mental e emocionalmente ainda não tinha certeza de quem havia se tornado. Conheceu Dwight e Bryce, que estudariam na mesma escola. E se viu aceita pelas garotas mais populares da escola. Neste novo contexto, o quanto Dice deveria arriscar em busca do que realmente a faria feliz?

Comentários: 
Eu podia ser eu mesma.Só que, você sabe, uma versão melhor de mim mesma. 
- O livro não é perfeito, mas tem muitos pontos positivos. Ele aborda o bullying do ponto de vista de como a vítima segue em frente – aos troncos e barrancos porque a vida continua. Cita de que forma Madison ficou traumatizada pelo que passou – e como isso se manifesta em coisas que aparentemente não fazem sentido para outras, desde um som ou mesmo um apelido que remeta um momento péssimo.

- Madison não superou o que sofreu, em grande parte porque não buscou ajuda. Fez o possível para se manter invisível e sobreviver até o fim do ano letivo. Agora, na nova escola, onde ninguém sabia quem ela foi antes, poderia construir uma nova personalidade pública – mesmo que internamente ainda fosse um emaranhado de confusão e de dores não superadas e cicatrizadas.

- Madison se tornou uma garota que foi acolhida no grupo das pessoas populares e, ao mesmo tempo, tratava bem os nerds da escola, que não entendiam por que fazia isso. Ela se tornou a namorada do jogador de futebol mais desejado da escola, companheira de compras das meninas populares.

- Dividida entre esses dois mundos, ela se questiona o tempo todo sobre qual é o lugar onde gostaria de estar e por que ainda tinha medo de voltar ao cenário que enfrentou no Maine. 
Não quero repetir nada do que aconteceu com a antiga Madison em Pineford. A nova Madison tem amigos, é popular, e o melhor, não é a vítima da vez. E planejo manter as coisas deste jeito, custe o que custar. 
- Sim, há romance, há dúvidas, há questionamentos, há inseguranças, há escolhas não tão boas, há medo, há desconfiança. Não há decisões perfeitas porque os personagens são adolescentes, longe de serem maduros.  

- Minha ressalva foi sobre o final. Achei muito rápido, tanto que achei que tinha pulado página, em determinado momento chave porque perdi um detalhe. Senti falta de alguns esclarecimentos (queria entender uma dinâmica de algo que acontece na reta final) e de algumas consequências. Sei que na vida nem sempre isso ocorre, mas acho que valeria a pena mostrar, especialmente para quem se identificar com Madison em maior ou menor intensidade.

- No fundo, a jornada de Madison ensina que precisamos aprender com os sofrimentos, sem fugir das dores que nos causamos ou foram causadas em nós – quanto mais varremos para baixo do tapete, pior se tornam e mais tempo levam para serem superadas (isso se não causarem consequências piores). Não haverá milagres e nem será da noite pro dia. A gente segue em frente, se tornando mais resiliente, entendendo onde está o que e em quem realmente valem a pena investir nossos sentimentos.


Arrivederci!!!

Beta
Reações:

0 comentários :

Postar um comentário