sábado, outubro 19, 2019

Ciao!


Sabe quando um livro te pega de jeito e você esquece que precisa dormir ou resolver problemas burocráticos da vida? Foi meu caso com o lançamento mais recente da Marina Carvalho, que já tinha sido mencionado no Literatura de Mulherzinha.
Só demorou para aparecer aqui por motivo de – surpresa! – Madre Hooligan!

Um dorama para chamar de meu – Marina Carvalho – Astral Cultural
(2019)
Personagens: Mariana Pena e Yoo Hwa-In, Joaquim Matos

Mariana foi designada pela empresa para acompanhar como assessora de comunicação o fotógrafo Joaquim Matos na turnê de lançamento do mais recente livro dele, que era sucesso de vendas. Nas viagens por cidades de São Paulo e de vários estados do país, eles vão rompendo as barreiras das primeiras impressões, das diferenças de criações e um desperta a curiosidade do outro. Aí um mistério que exige ser solucionado pode colocar os dois – e quem eles amam – em risco.

Comentários:

- Há um tempinho, eu fui apresentada pela minha amiga Beta (sim, duas Robertas) a um programa que eu não sabia que existia: doramas. Graças a ela, eu vi You’re Beautiful (xodozinho) e Coffee Prince (meu favorito). Depois fiquei sem ter como ver e foquei em outras coisas. Madre Hooligan – que via comigo e se apaixonou pelos coreanos – volta e meia reclamava que a gente parou de ver. Por isso quando este livro chegou aqui em casa, foi imediatamente confiscado por ela. Uma forma de matar a saudade dos “coreanos dela” (falo nada) e eu só pude ler agora.

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Uma pessoa como eu, comunicativa desde o berço, pode morrer de ansiedade ao lado de um sujeito tão fechado como esse fotógrafo. Meu coração chega a estar disparado de tanto nervoso”.

- Conhecemos Mariana que recebe uma missão na empresa onde trabalha: fazer a assessoria da turnê de lançamento do livro best-seller do fotógrafo Joaquim Matos. À primeira vista, a impressão não foi boa: ele era sério e sisudo demais. Até que ela descobriu que eles já tinham se visto antes – em uma situação um tanto constrangedora para ela.

- A turnê começa sob um clima de implicância de ambos e a expectativa e pressão de Mariana para fazer um bom trabalho e o mistério em torno de Joaquim, que ela descobriu que nasceu na Coreia do Sul e se chamava Yoo Hwa-In. Enquanto tentavam estabelecer uma trégua, encaravam os perrengues que ocorriam durante a turnê, o que levou a mais conflitos e mais descobertas entre os dois.

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“[...] carrego uma câmera quando saio com intenção de fotografar. Para mim, fotografia é como escrever um livro, compor uma música, pintar um quadro. Requer preparação, sensibilidade. Tem dias que ando sem nem olhar para os lados. Só quero chegar o mais rápido possível no café da esquina”

- Fotografar era uma parte importante da vida de Hwa-In. Pena que isso trazia no combo as turnês promocionais dos livros, ele não era muito fã de lidar com jornalistas. Nascido na Coreia, imigrou ainda criança para o Brasil, então estava entre duas culturas totalmente distintas: a formalidade da pátria natal e a expansividade da terra adotada.

- E isso não foi empecilho para que ele se interessasse por uma jovem totalmente distinta de tudo que ele era e que não cansava de surpreendê-lo. Falante – ainda mais se tiver bebido -, transparente, durona, feminina e que se achava a Mulher-Maravilha.


“As pessoas reparam quando uma mulher pratica boxe. Vivo escutando comentários preconceituosos, como ‘por que a sua mãe não a colocou no balé?’, ‘boxe não é coisa de menina’, ‘se cair na porrada com um homem, apanha do mesmo jeito’, e por aí vai. Precisei dar muito soco em saco de areia para não mirar outros alvos – a cara dessa gente maçante”

- Temos personagens com os quais nos identificamos (se a família Pena conhecesse a minha família, provavelmente eu e Mariana passaríamos muita vergonha). Aprendemos além da superfície sobre a rica cultura coreana, que preza valores que a gente lamenta não ter mais por aqui. 

- Joaquim é um protagonista como a gente não costuma ver por aí – forte sem ser ogro, inteligente e honrado. Mal-humorado, é verdade, mas quem é perfeito? Mariana é valente com inseguranças, um pouco atrapalhada, excelente profissional, sofre os problemas de uma pessoa neste mundo lotado de padrões inalcançáveis e descobriu no boxe uma forma de se equilibrar. Mariana poderia ser eu (exceto que eu não bebo nada alcoólico), poderia ser qualquer uma de nós. E duvido que a gente, assim como ela, não gostaria de encontrar um Hwa-In, do jeito que ele é.

- E o que posso dizer? É ótimo. Simples assim. Leitura que nos envolve e a gente PRECISA SABER LOGO O QUE VAI ACONTECER. Por isso dormi tarde (na verdade, o sono ganhou a briga, porque se não fosse isso teria terminado de madrugada sem o menor remorso de parecer um guaxinim sardento e de óculos no dia seguinte) e carreguei o livro comigo para os compromissos do dia até conseguir concluir a leitura. 

- #MadreHooligan amou. Eu também amei. Se estiver atrás de uma mistura de romance, comédia, suspense e aventura, com cenas que poderiam mesmo estar em um dorama, fique à vontade. Se não estiver atrás, mas ficou curioso, procure e leia. Até hoje, não li nada menos que maravilhoso escrito pela Marina Carvalho, então, creio que você também pode se divertir muito.


Bacci!!!

Beta

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