sexta-feira, novembro 15, 2019

Ciao!


Há alguns anos, eu não teria gostado deste livro por ter todas as características que me irritaram em outros chick-lits, como Bridget Jones e Becky Bloom.
No entanto, agora eu sei por que me irritavam, então é tão mais fácil de compreender a história.

Chuta que é carma! – Vanessa Bosso – Astral Cultural
(2016)
Personagem: Clara e a vida com um carma complicado

Tudo deu errado. Clara terminou um relacionamento (que não era lá essas coisas) e estava agora amargando uma sofrência arretada em um apartamento vazio. Em um rompante, decidiu viajar para espairecer. Embarcou com Patty, a melhor amiga, para uma jornada espiritual rumo a Machu Picchu. No entanto, enquanto ela não se entender, não tem carma suficiente para culpar e dharma para implorar.

Comentários: 
“O chato da história é que você, eu e todo mundo nascemos sem memória e não nos lembramos das imbecilidades protagonizadas ao longo da roda das encarnações. Como podemos ser responsáveis por atos cármicos se somos um bando de desmemoriados? Como ser punidos por coisas que aconteceram lá longe na linha do tempo? 
- Então, há alguns anos, a Mulherzinha aqui teria perdido a paciência com a imaturidade da protagonista. Clara é terrivelmente imatura – especialmente em se tratando das próprias emoções. Ela construiu ao longo dos anos um ideal de perfeição pessoal. E quando os relacionamentos amorosos não são nem um pingo do que ela sonhou, vem a sensação de fracasso. Aí a culpa é de quem? Do carma, óbvio.


- Depois do mais recente retumbante fracasso, decidiu fazer uma viagem espiritual para desanuviar a mente. Destino: Peru. Patty, a melhor amiga e aparentemente, “personal Grilo Falante” da Clara vai junto.

- São muitos capítulos com as duas conversando e, mesmo que com palavras diferentes, batem sempre na mesma tecla: a incapacidade de Clara lidar com a realidade, que não atende ao que ela idealizou. 
Mas cadê a coragem? E o medo de ficar sozinha? De nunca mais encontrar alguém para dividir a vida? Eu sei, antes só do que mal acompanhada, mas na vida real essa máxima é difícil de aplicar 
- Por isso, a necessidade de estar em um relacionamento, mesmo com um embuste – e ignorando os avisos de todos os amigos. Pela mesma razão, a coleção de ex que ela disse que são “carmas”, ou seja, castigos por alguma coisa de muito errado que ela fez em outra vida.

- Ela chega a citar o termo “reforma íntima, que ouvi em um centro espírita”. Pegou a base do conceito, mas não tinha como praticá-lo. Porque ela ainda fugia dos problemas e queria conformar a realidade na idealização que ela alimentou por anos. Chance disso funcionar? Nenhuma.

- Clara precisava se encarar de frente. Sem fugir. Sem distrações. Sem se esconder atrás de quaisquer escudos – principalmente os amorosos. E não é um processo que ocorre em um estalar de dedos. Exige tempo, coragem, compaixão com a gente mesma, entender as nossas falhas, perdoar as nossas culpas e seguir em frente rompendo esse ciclo. 
- Pare de se colocar no papel de vítima da situação. Isso não leva a nada. Assuma suas responsabilidades e reescreva a sua vida da forma que achar mais proveitosa. Você é a protagonista e a caneta está em suas mãos 
- Enquanto isso que Patty disse a amiga não acontece de verdade, pode culpar o carma, o zodíaco, a defesa do Botafogo, a instabilidade econômica, a mudança de tempo, o Aedes aegypti, quem quiser. As chances de dar certo são poucas.

- Quando a gente assume a responsabilidade pelas nossas ações e, acima de tudo, pelas consequências delas, a ficha cai de não somos o camarão que dorme e é levado pela onda. Temos que saber quando nadar contra a maré, quando surfar a onda ou quando deixamos algo passar porque sabemos que algo melhor virá.



- Clara, escute bem o que eu vou dizer. Enquanto você não se amar do jeitinho que é, ninguém vai te amar. Quem em sã consciência amaria alguém que não se valoriza, que não acredita no seu próprio potencial? 
- O livro inicia a jornada de amadurecimento de Clara, mesmo que seja por osmose. Vocês vão reparar que ela mesma não percebe o momento em que algumas das chavinhas do comportamento padrão mudaram. Ela vai reparar que a realidade se impõe diante de qualquer escudo que ela queira usar para não enfrentá-la.

- Não há conto de fadas. Há uma história principal – a gente aprender a gostar de nós mesmos. Criarmos nossa própria gama de sonhos sabendo que alguns não serão 100% satisfeitos ou não se realizarão. Sabendo que encontraremos outras histórias pelo nosso caminho e que nem sempre o diálogo será positivo, mas que vamos aprender algo com isso.

- Sim, eu já tive alguns momentos muito “Clara” e posso compartilhar com ela que a vida após não é perfeita, mas é melhor. A gente aprende sempre a encontrar algo bom mesmo nos momentos ruins. Isso nos enriquece para lidar com a vida neste mundo meio maluco em que estamos.

Claro que tem sequência. #MadreHooligan me incumbiu de conseguir porque ela quer saber o que acontece (ela confiscou o livro pra ler antes de mim e me entregou já com a encomenda). 

Dueto:
Chata que é carma!


Arrivederci!!!

Beta
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