domingo, janeiro 19, 2020

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Sempre que vejo um filme “baseado em um livro” anoto para ler a inspiração. Pois bem, vi o “Adoráveis Mulheres” de 1994, e não havia lido o original.
Aí em 2019, o livro foi discutido em vários capítulos da novela das 19h da Globo, Bom Sucesso, e isso reavivou meu interesse. E ganhei o livro de presente de aniversário.
Pronto, eis ele aqui, abrindo a última semana da novela e no mês que estreia uma nova versão do filme nos cinemas.

Mulherzinhas – Louisa May Alcott – Planeta
(Little Woman - 2019)
Personagens: as mulheres e jovens da família March

A Guerra Civil Americana dividiu famílias, inclusive a March, que vive em uma cidade de Massachusetts. Enquanto o pai estava no front de batalha, a mãe e as quatro filhas estavam cuidando de si mesmas da melhor forma que podiam. A narrativa acompanha o amadurecimento das jovens, as alegrias, as decepções, as perdas e as escolhas que fazem para as próprias vidas.

Comentários: 
Não podemos abrir mão de nossas meninas por uma dúzia de fortunas. Ricos ou pobres, ficaremos juntos e seremos felizes uns com os outros”. 
- É um livro repleto de personagens femininas em destaque, cada uma dotada de personalidade própria. E todas com virtudes e falhas. Tem a maior parte de suas cenas ligadas à rotina doméstica de uma mãe e suas quatro filhas, que precisam se manter enquanto o pai está servindo o Exército na guerra.

- Meg é a sensata irmã mais velha; Jo é a independente e destemida; Beth é delicada e altruísta e Amy artística e sonhadora. Elas são conduzidas pela firmeza de caráter da mãe enquanto se desdobram entre as tarefas de casa, trabalho, ajuda aos necessitados e as brincadeiras, as amizades e rivalidades internas e, às vezes, externas. E o jovem Theodore Laurent, Laurie, o neto do vizinho rico das March, se une ao grupo formado pelas irmãs e sendo acolhido pela mãe delas.

- O livro mostra quanta coisa pode acontecer na vida de um grupo familiar não tão favorecido financeiramente, mas que possui o principal para enfrentar as intempéries: amor. Pode parecer piegas, mas é verdade. Elas se apoiam umas nas outras. A mãe e Hannah, as adultas da casa, as orientam e até deixam que quebrem a cara. Gostei particularmente desses trechos, onde elas aprendiam depois de passarem por uma experiência que prometia ser boa, mas não foi tanto assim. 
“Conforte-se, caro coração! Sempre há luz atrás das nuvens”. 
- É uma história sobre jovens no século 19. Então é ditada pelas limitações do comportamento social considerado adequado às mulheres na época, ainda mais as que não tinham fortuna. Jo é a rebelde, que não se conforma com isso, quer ser escritora e conquistar um destino diferente. A mãe, que não é perfeita e lida com as próprias fraquezas e vulnerabilidades, incentiva que as garotas se tornem a melhor versão de si mesmas possível. Então as ajuda a melhorar sempre.

- No entanto, todas as diferenças são superadas quando alguma situação exige a união familiar: seja numa desavença entre elas ou com outras pessoas, numa situação de doença ou em uma possível tragédia. E por ser um livro que narra a rotina de uma família, pode crer, por mais suave que seja o tom (adorei os comentários de quem conta a história diretamente para quem está lendo), haverá alguns momentos em que a união e a fé das meninas, jovens e mulheres March será testada. E nem sempre haverá vitória, mas elas conseguirão tirar uma lição de tudo e seguir em frente.

- Como eu tinha visto o filme de 1994, já sabia de pontos importantes que ocorrem durante a trama. No entanto, o livro aprofunda as personalidades, as dinâmicas das irmãs e da mãe entre elas e com as pessoas que as cercam ou com quem convivem. Permite que a gente as compreenda além dos estereótipos e que a gente se afeiçoe até mesmo àquela personagem de que pensava não gostar inicialmente. Por mais que eu me identificasse com a Jo, entendi os sentimentos, os sonhos e as frustrações de Meg e Amy, já que é meio difícil não gostar da Beth, que é aquele tipo de pessoa que a gente quer guardar em um potinho (pra usar uma definição atual).

- Eu não sabia que, inicialmente, foram dois livros – Mulherzinhas fez tanto sucesso que a autora escreveu a continuação Boas Esposas. Esta versão que li traz a história completa, em duas partes. Então podemos ver o que acontece com as garotas um pouco mais velhas e como as dinâmicas são mudadas com a passagem do tempo. Temos amores não correspondidos, sonhos não realizados, novos sonhos e desafios, mudanças de locais, de desejos e o amadurecimento das jovens March e de Laurie. E temos um pedido de casamento que combina perfeitamente com o casal que o protagoniza (e me fez rir como uma boba ao ler por imaginar claramente a cena).

- Enfim, é uma leitura totalmente recomendada, espero que você se dê tempo a ela (eu fiquei uma semana com o livro, sem pressa nenhuma). Temos a oportunidade de observar diferentes formas do feminino manifestar-se e tecer nossas próprias avaliações sobre o quanto mudamos ou não e o quanto a sociedade do século 19 ainda ressoa no século 21. Ou você acha que agora está mais fácil ser Meg, Jo, Beth, Amy, a mãe March e Hannah?


Bacci!!!

Beta
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