sábado, janeiro 25, 2020

Ciao!

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Para onde vai a alma quando o coração humano já não tem mais forças para bater? 
Esse questionamento já vem logo de cara para avisar que vamos lidar com muitas ações, perguntas e atitudes complexas ao longo da trama.

O primeiro imortal – Rodrigo N. Alvarez – Arqueiro
(2019)
Personagens: um homem, cientistas, acadêmicos, imortalistas

Dois caçadores encontraram corpos congelados em uma caverna na Rússia em 1987. O corpo de um homem foi retirado do local e levado para a Romênia para passar por um processo de ressuscitação. A meta deste grupo era descobrir, por meio dele, as condições para alcançar a imortalidade. As consequências vão escapar do controle de todos e levar ao dilema de quem seria esse homem e se ele teria condições de existir atualmente.

Comentários:

- O ponto de partida do livro é o encontro de corpos congelados na Rússia em 1987. Para muitos, seriam fósseis em excelente estado de conservação que permitiriam entender como eram as pessoas que, há milhares de anos, viveu ou passou pela região. No entanto, para os que buscavam a forma de vencer a morte, é uma oportunidade imperdível de testar as técnicas para ressuscitação do que seria, para eles, “o primeiro imortal”.

- Temos conflito de várias linhas de atitude e de pensamento sobre o este homem. Há o medo de que a alma não retorne para o mesmo corpo. Há quem enxergue como a forma de não perder as pessoas que se ama. E também um caminho para ganhar dinheiro ou o trampolim para a fama na carreira acadêmica ou um importante ativo político. Outros acreditam que é o que faltava para manter o poder que acumulou na vida.

- E no meio de tudo isso, o homem batizado de Ignatius, sendo tratado como um objeto pela maioria deles. No entanto, ele tem sentimentos, passa por diferentes estágios até conseguir entender o que está acontecendo e por que está confinado em um local estranho, com pessoas estranhas que falam línguas que não entende. As memórias voltam e, com ela, o desejo de tentar se encontrar em um mundo que está longe de ser o que ele conheceu.

- “Agir como se tivesse o poder de Deus” – ou seja, decidindo sobre questões de vida e morte – é um tema que, bem desenvolvido, é um prato cheio. E o primeiro imortal tem isso de sobra: pessoas em busca de respostas e, para alcançar isso, algumas estão dispostas a abrir mão das questões morais e éticas. Viagens, fugas, perseguições, assassinatos, rasteiras motivadas pela ambição e arrogância. É uma trama que tem várias camadas, personagens e costura diferentes países nas ações, reações e consequências.

- Eu me questionei sobre como muitos personagens ficcionais podem ser encontrados nas versões “de carne e osso” nas nossas vidas. Aposto que você vai reconhecer os perfis dentre os que gravitam entorno do homem de 38 mil anos. As escolhas que fazemos dizem muito sobre o que somos, não é? Então, confesso que fiquei feliz com o desfecho de uma das pessoas que, digamos, “tomou um choque de autoconhecimento” durante o projeto com o “imortal”.

- Não seria uma escolha natural minha de leitura, mas gostei da experiência, desta vez, na versão e-book. Gostei de ver o quanto o autor pesquisou e soube misturar realidade e ficção. Me colocou para pensar sobre vida, morte, ética, religião, referências, raízes, laços que estabelecemos, prioridades na vida. E que ainda precisamos evoluir muito...


Arrivederci!!!

Beta
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