quarta-feira, janeiro 29, 2020


Ciao!

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Uma história de ódio que durou toda uma vida.
Forte, né? Então, essa é a premissa deste livro.

O homem que odiava Machado de Assis – José Almeida Júnior – Faro Editorial
(2019)
Personagens: Pedro Junqueira e Joaquim Maria Machado de Assis, Carolina Novais

Pedro era filho de fazendeiro e desde pequeno não gostou do mulato Joaquim, criado na casa da madrinha dele no Rio de Janeiro. O tempo passou e, mesmo seguindo caminhos diferentes, os destinos deles se cruzaram em disputas que envolveram literatura e o amor de uma mulher, Carolina.

Comentários:

- O ódio pode ser a força motriz de uma vida? Bem, todo mundo diz que não é saudável, mas Pedro Junqueira não conseguiria resumir a própria existência sem dizer que, durante a maior parte dela, alimentou sem nenhuma moderação esse sentimento por Machado de Assis.

- A rivalidade começou no Morro do Livramento, quando ambos eram crianças. No entanto, Pedro também admite que muito do principal “azar” que teve na vida ocorreu por causa dele mesmo. E se agravou quando Pedro e Machado de Assis se reencontraram, já homens. A convivência civilizada logo deu espaço a uma disputa que envolvia ciúmes, chantagem, traição e casamento.

- Temos um protagonista falho até a última gota. Pedro não é o herói nem o anti-herói com quem a gente se identifica, mesmo nos piores momentos. Em alguns momentos, ele é o principal antagonista de si mesmo. Fiquei com a sensação de que não aguentou a própria fraqueza. Sempre desejando algo a mais, nada era suficiente e sempre destruindo – ou deixando margem para perder – o que tinha.

- Toda a história é narrada por Pedro. Diante disso, até quando podemos confiar no narrador que, desde o início, deixou claro que odiou Machado até a morte? É a versão dele para a história. O quanto ela é fiel ou quanto foi comprometida pelo rancor, nunca saberemos. Não tem como ouvir o outro lado da história.

- Total mérito do autor em costurar uma trama que passa em cidade do Brasil e de Portugal no século 19, envolver vários personagens reais – com mérito ao tratá-los sem endeusamento – e brincar com as referências à vida e à obra de Machado de Assis. A gente se sente na Livraria Garnier, nos bastidores da luta política entre abolicionistas e escravocratas (sem a idealização de heróis neste caso). Entende de que forma o jornalismo era usado para destruir reputações. E temos muitos exemplos da forma como machismo da sociedade oprimia as mulheres – e como isso poderia destruí-las moral e fisicamente.

- Ou seja, divirtam-se nesta sopa de referências, no xadrez que dois homens jogaram com todas as armas de que dispunham. E se houve algum ganhador, desculpa, você vai ter que ler para saber.


Bacci!!!

Beta

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