domingo, março 08, 2020

Ciao!

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“Nasci no coração dos crimes contra mim”.

Minha história de cárcere e luta contra o Estado Islâmico é o subtítulo que indica uma história real, nada fácil de ser lida e de conhecimento necessário. Precisamos saber para evitar que ocorra novamente.

Que eu seja a última: Minha história de cárcere e luta contra o Estado Islâmico – Nadia Murad – Novo Século
(The Last Girl: My Story of Captivity, and My Fight Against the Islamic State - 2017)

Nadia Murad conta como a vida dela mudou drasticamente pela perseguição do EI ao povo dela, Iazidi, durante os desdobramentos das disputas políticas no Iraque pós-Saddam Husseim. Homens – como os irmãos dela -, mulheres mais velhas – como a mãe dela – foram mortos. Ela, as irmãs, cunhadas e sobrinhas, junto com outras jovens foram levadas para se tornarem escravas sexuais dos terroristas, sem direitos, sem respeito, estupradas e brutalizadas. E a decisão de tornar própria história pública para buscar punição aos responsáveis pelo genocídio dos iazidi e pelos crimes cometidos contra ela e as outras sobreviventes.

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“Os iazidi não existiam nos livros de história iraquianos que li na escola, e os curdos eram retratados como ameaças ao Estado. (...) Mais tarde, pensei que aqueles livros deveriam ser um dos motivos pelos quais os nossos vizinhos ingressaram no EI ou foram omissos quando os terroristas atacaram os iazidi. Ninguém que houvesse estudado numa escola iraquiana pensaria que nós merecíamos ter nossa religião protegida, ou que havia algo de perverso ou mesmo de estranho em guerras infinitas”. 
- Antes de ler já sabia que seria um livro difícil – porque uma história que envolve sequestro, estupro e agressões não é fácil. Mas ainda é pior que eu imaginava, porque envolve a dor de ver uma comunidade ser morta por ser quem é – iazidi. E não receber ajuda de outros povos que estavam e ainda estão no Iraque. Ser julgado pela sua fé, pela sua criação, pela sua forma de viver. Ver mães, pais, avós, avós, líderes políticos e homens serem mortos. Adolescentes sequestrados para serem convertidos em integrantes ou escudos humanos. 
“Os iraquianos, particularmente iazidis e outras minorias, são especialistas em se ajustar a novas ameaças. Você tem que ser assim se quiser tentar levar uma vida quase normal em um país que parece estar se esfacelando. Às vezes, os ajustes eram relativamente pequenos. Redimensionamos nossos sonhos – de terminar a escola, de abandonar o trabalho na lavoura para fazer algo que desse menos dor nas costas, de se casar no futuro – e tentamos nos convencer de que esses sonhos sempre tinham sido inalcançáveis”. 
- Para explicar, Nadia narra anos de vida de quem não estava nos grandes centros do Iraque – ela e a família moravam em uma aldeia chamada Kocho, no sul da região de Sinjar. Ela narra como era durante o período do Saddam Husseim, após a queda deles e a guerra contra os americanos e depois a disputa política entre os povos que compõem o país. Como o terrorismo nasceu e proliferou nestas condições, controlou e dizimou aldeias próximas até o dia que começou o cerco ao local onde ela e a família viviam. 
“Quando o EI conquistou Sinjar e começou a raptar as iazidis, eles chamavam seus despojos humanos de sabaya (singular, sabiyya), referindo-se às moças que eles compravam e vendiam como escravas sexuais. Isso fazia parte do plano deles para nós, fruto de uma interpretação do Alcorão há muito tempo banida pelas comunidades muçulmanas do mundo e escrito nas fátuas e nos panfletos que o EI oficializou antes de atacar Sinjar. As moças iazidis eram consideradas infiéis e, de acordo com a interpretação do Alcorão por estes extremistas, estuprar uma escrava não é pecado. Atrairíamos novos recrutas a se alistarem nas fileiras dos extremistas e seriamos passadas de mão em mão como recompensa pela lealdade e pelo bom comportamento. Esse era o destino de todas naqueles ônibus. Já não éramos seres humanos – éramos sabaya”. 
“Sob o jugo do EI, as mulheres foram apagadas da vida pública. Os homens se alistavam por razões óbvias – queriam dinheiro, poder e sexo. Eram muito fracos, eu pensava, para descobrir como obter essas coisas sem usar a violência. Seja como for, os membros do Estado Islâmico que eu havia encontrado até agora pareciam sentir prazer em infligir dor nas pessoas”. 
- Além da tortura física e moral contra as jovens iazidis, praticadas pelos homens – muitas vezes com a conivência e até ajuda das mulheres de outros povos, havia também a maldade psicológica. Os captores sabiam das normas que regiam a vida da comunidade: diziam que as jovens por não serem mais virgens e terem se convertido (de forma forçada) à fé islâmica não seriam mais aceitas pelas suas famílias ou parentes que ainda tivessem vivos. Nadia disse que isso reforçava como eles arrancavam a humanidade delas todo dia e tornava impossível pensar no futuro.

- Enfim, tudo que eu disser aqui é pouco diante do que Nadia passou e sobreviveu para contar ao mundo. Por isso esta é a indicação de hoje, Dia Internacional da Mulher, no Literatura de Mulherzinha. Para mostrar o quanto ainda precisamos evoluir e respeitar as mulheres, sem diferenciá-las por crença, idade, aparência, profissão. Dar voz à dor das iazidis que viram familiares serem mortos, suas comunidades dizimadas e garantir que elas sigam em frente, com a devida justiça. Leiam sobre elas, reflitam e compartilhem. 
“Tudo que queremos é manter viva a nossa cultura e a nossa religião e levar o EI à justiça por seus crimes. Tenho orgulho de tudo que fizemos como comunidade para reagir. Sempre tive orgulho de ser iazidi”. 
- Links: Goodreads livro e autora; Instagram da autora; Skoob.

Arrivederci!!!

Beta

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