domingo, março 15, 2020

Ciao! 
 
  


Há muito tempo estou me prometendo ler algo da Chimamanda Ngozi Adichie. Finalmente consegui. Comecei por um e-book enquanto esperava numa fila para ser atendida. E valeu muito a pena. Tanto que por causa dele fiz a lista de dicas na Amazon. 

Sejamos todos feministas – Chimamanda Ngozi Adichie – Companhia das Letras
(We should all be feminist 2014)
Queria ilustrar como a palavra “feminista” tem um peso negativo: a feminista odeia os homens, odeia sutiã, odeia a cultura africana, acha que as mulheres devem mandar nos homens; ela não se pinta, não se depila, está sempre zangada, não tem senso de humor, não usa desodorante. 
É um texto pequeno, de 38 páginas, de uma palestra da Chimamanda. Por que é legal começar o contato com a autora por ele?

Bem, primeiro, porque a gente descobre como a autora se expressa. Posso dizer, por experiência própria, que sou uma pessoa prolixa. Portanto, admiro quem consegue ser claro e conciso em expor ideias. E ela é bem clara do início ao fim no tema que se propôs: por que TODOS devemos ser algo que ainda é discriminado e rotulado como algo ruim?

Segundo, porque Chimamanda compartilha exemplos que ela vivenciou. E que qualquer uma de nós pode ter vivenciado, dentro das particularidades da nossa rotina. A gente percebe que, mesmo diferentes, estamos unidas por algo independente de fronteiras: uma “forma” onde a sociedade espera confinar o que é ser uma mulher socialmente aceita. 
Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal. Se só os meninos são escolhidos como monitores da classe, então em algum momento nós todos vamos achar, mesmo que inconscientemente, que só um menino pode ser o monitor da classe. Se só os homens ocupam cargos de chefia nas empresas, começamos a achar “normal” que esses cargos de chefia só sejam ocupados por homens. 
Não faz muito tempo, escrevi um artigo sobre o que significa ser uma jovem mulher em Lagos. Um conhecido disse que havia muita raiva no texto, que eu não deveria ter me expressado com tanta raiva. Mas eu não via razão para me desculpar. É claro que eu estava com raiva. A questão de gênero, como está estabelecida hoje em dia, é uma grande injustiça. Estou com raiva. Devemos ter raiva. Ao longo da história, muitas mudanças positivas só aconteceram por causa da raiva. Além da raiva, também tenho esperança, porque acredito profundamente na capacidade de os seres humanos evoluírem. 
Gostei porque ela foi ao cerne da questão: como confinamos a feminilidade e a masculinidade em rótulos que não fazem bem a ninguém. Limitamos ambos com “NÃO SEJA”.
  • Não seja agressiva. Não seja inteligente. Preocupem-se com o que os homens pensam de vocês. Tratem as outras garotas como inimigas.
  • Não seja fraco. Não chore. Seja macho. “Isso” não é coisa de homem.

Repararam o quanto isso faz mal? São pesos que pairam para impedir as pessoas de viverem de forma saudável o que sentem e o que sonham ser. 
A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente. 
Feministas – mulheres e homens – lutam pela equidade de condições. Não é um melhor que o outro. São todos sendo o seu melhor, onde as pessoas possam viver seus potenciais e construir uma sociedade mais saudável. Em 38 páginas, Chimamanda coloca a gente pra pensar sobre muitas coisas. E sobre como tudo isso que ela analisa começa dentro de nós e nas nossas casas. Como vamos mudar o mundo se não somos capazes de mudar nós mesmos? 
A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura. 

Arrivederci!!!

Beta
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