sábado, maio 02, 2020

Ciao!

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Foi um choque quando vi a notícia. Imediatamente enviei para a minha irmã, que morou em Paris durante o doutorado: “A Notre-Dame está em chamas”.

Na Inglaterra, o escritor Ken Follett teve sensação semelhante. E isso o inspirou a escrever um ensaio sobre como ele se sentiu e o que representa a Catedral para os franceses.

Notre-Dame: A história de uma catedral – Ken Follett – Editora Arqueiro
(2020) 
Aquela visão nos deixou estupefatos e profundamente perturbados. Fiquei à beira das lágrimas. Algo inestimável estava morrendo diante dos nossos olhos. Era uma sensação desconcertante, como se a terra estivesse tremendo. 
O amor de Follett pelas catedrais rendeu o livro Os Pilares da Terra, depois de muita pesquisa e estudo para escrever a história. Além disso, ele visitou várias vezes a Ilê de la Cité, conhecia a Notre-Dame.

Por isso, se tornou uma referência para ser entrevistado pelos jornalistas sobre o impacto não só estrutural, mas também o emocional do fogo na catedral parisiense.

E dias depois, ele foi para a França, participar de um debate sobre as catedrais e a literatura e ver de perto como ficou Notre-Dame após o fogo ter sido controlado.

Diante do amor dele pelo local, a editora francesa sugeriu que escrevesse um texto inédito e que todo o valor arrecadado com a venda fosse doado para o fundo de reconstrução. Ele topou e esta foi o ponto de partida deste ensaio. 
A Notre-Dame sempre pareceu eterna, e os responsáveis por sua construção na Idade Média sem dúvida acreditavam que ela duraria até o Juízo Final. Mas, de repente, vimos que ela poderia ser destruída. Na vida de toda criança existe o momento doloroso em que ela percebe que o pai não é todo-poderoso nem infalível. Ele tem fraquezas, está sujeito a doenças e um dia irá morrer. O desabamento do pináculo me fez pensar nesse momento. 
Ele narra o processo de construção de Notre-Dame, marcado pelo bispo de Paris, Mauricio de Sully que em 1163 ordenou a demolição do prédio que existia para que fosse erguido outro, mais bonito e avançado para a época.

E não é à toa que atualmente quando nos referimos a algo demorado perguntamos se é “obra de igreja”. Pensa só no desafio para construir uma catedral no período medieval, onde não tinha nada dos métodos e opções utilizadas atualmente por engenheiros e arquitetos.

Todo o planejamento era desenhado no piso – pergaminho era um luxo para poucos. O objetivo era conseguir uma igreja bem iluminada e com uma nave gigante e torres grandiosas apontando para o céu. Até as pedras eram separadas conforme as funções que poderiam desempenhar – desde sustentação à decoração.

O trabalho atraiu pessoas de diversos países, porque seriam necessários muitos operários – e era comum ver mulheres e crianças executando tarefas no canteiro de obras ao lado dos maridos e pais.

Nem o bispo nem o mestre de obras que iniciaram este projeto o viram pronto. Outros assumiram e acrescentaram características que atualmente associamos imediatamente à Notre-Dame. A obra ficou mais ou menos pronta em 1260, quase 100 anos depois do início. Mesmo assim, melhorias ainda seriam feitas ao longo dos anos até chegar à estrutura que vimos em chamas no ano passado. 
Vi a construção da catedral como o tipo de empreendimento comunitário que toma conta do imaginário de uma sociedade inteira. Uma catedral é uma obra de arte, mas a ideia nunca pertence a uma só pessoa. 
Em outro trecho, Follett leva quem lê até 1831 para destacar o impacto de Victor Hugo na história da Catedral. Ao escrever “O corcunda de Notre-Dame”, chegou a imaginar o local sendo consumido por um incêndio. E a forma como relatou as depredações e a negligência sofridas pela igreja durante e depois da Revolução Francesa, foi iniciada uma campanha para mais uma reforma. Foram mais 20 anos de obra, comandada pelo arquiteto Eugène Viollet-le-Duc.

Em outro salto temporal, Follett nos conduz até 1944, o dia da libertação de Paris dos nazistas. E como o general Charles de Gaulle sabia que precisava ser visto na Notre-Dame para considerado o líder do país no pós-guerra. Era uma manobra emocional, muito arriscada, realizada por um general que tinha ambições políticas.

Por fim, ele narra as impressões de quem visitava a igreja, o que encontrava, quais sensações eram despertadas e por que doeu nele e em tantos outros pelo mundo o incêndio no dia 15 de abril de 2019.

Enquanto lia o texto de Follett me deparei com uma notícia que me fez relembrar que algo de bom pode surgir de um fato ruim. As obras de reconstrução estão paradas por causa da pandemia, mas cientistas estão aproveitando para realizar diferentes estudos e compreender ainda mais particularidades da Notre-Dame, como consta nesta matéria do G1.

Enfim, apesar de ser um texto curto, Follett traz muito para quem lê. Por isso fica o convite para que embarquem no ensaio e conheçam os detalhes de tudo que houve ao longo da jornada de Notre-Dame.


Arrivederci!!!

Beta
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Um comentário :

  1. Conheci Notre Dame em 2007. Também foi doloroso para mim ver a igreja em chamas, meu medo era que suas imagens e seus tesouros fossem danificados (felizmente não o foram).

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