terça-feira, junho 30, 2020


Ciao!

Disponível na Amazon 

Hoje completam 18 anos que o médium Chico Xavier concluiu a missão terrena e desencarnou. 

Eu já li alguns livros sobre ele e outros que ele psicografou, mas ainda preciso de muito mais para ser capaz de escrever sobre o tema.

Portanto, para citá-lo nesta data, optei por livro que tivesse uma abordagem mais jornalística. 

E assim, cumpri mais uma das minhas escolhas para a Meta de Leitura.

Pinga-fogo com Chico Xavier – Chico Xavier, Saulo Gomes (org) – InterVidas
(2010 – Catanduvas)

Um marco na audiência da TV brasileira: assim é definida a participação do médium Chico Xavier no programa Pinga-Fogo, da TV Tupi, entre 27 e 28 de julho 1971. Tanto que motivou uma segunda entrevista, uma edição especial, de Natal, nos dias 21 e 22 de dezembro do mesmo ano.

Este livro traz a transcrição das duas entrevistas, com direito às notas do organizador Saulo Gomes, responsável pelo convite para que Chico participasse e um dos entrevistadores, além das marcações das interrupções do programa para troca de fitas.

Pra quem nasceu depois, o Pinga-Fogo era exibido às 23h30 de terça na emissora, que era o canal 4, em São Paulo, com 1h de duração (as edições com Chico duraram mais de 3h e 4h, respectivamente). O convidado era questionado por vários entrevistadores. Era ao vivo, mas gravado em videotape para ser retransmitido em outras cidades e regiões.  

Chico Xavier foi convidado para ir ao programa por um dos entrevistadores, o jornalista Saulo Gomes. Por muito tempo, Chico não teve motivos para confiar a imprensa, pela forma como era retratado nas matérias (em especial, uma publicada na revista O Cruzeiro).

Além disso, como é mencionado na entrevista, ele passou anos dedicado à psicografia e aos demais trabalhos que realizava em Uberaba. Portanto, não recebeu autorização de quem o orientava para conversar com a imprensa. 

Isso é mais um fator que acrescenta relevância à participação do Chico no Pinga-Fogo por duas vezes em menos de seis meses. E falando por muito mais que o tempo habitual do programa.

Como jornalista, algumas notas do organizador destacam que quem lê pode estranhar a forma como as perguntas eram feitas. Hoje em dia, soaria muito diferente para o que estamos acostumados, um ritmo cada vez mais acelerado, tentando resumir conceitos e ideias em poucas palavras. Por isso, é até estranho ler perguntas enormes, que às vezes dão algumas voltas, até chegarem onde pretendem.

E o uso de adjetivos sem medo de ser feliz também é algo característico da época: hoje em dia, os jornalistas são orientados a evitá-los porque o objetivo da profissão é ater-se aos fatos.

Outro ponto ainda mais incrível é ver temas em discussão na década de 1970 e que ainda são atualíssimos: os direitos das pessoas LGBTQI+, fertilização artificial, aborto, origem e autoria das obras que Chico psicografou, vida em outros planetas (o programa foi realizado dois anos depois dos astronautas chegarem à Lua), pena de morte, congelamento de corpos, o espiritismo em contraponto ao Catolicismo e à Umbanda.

Até mesmo, a possibilidade de os avanços tecnológicos interferirem na evolução da sociedade e ainda como os homens encontravam uma destinação ruim para várias boas invenções inspiraram perguntas nos dois programas. E ainda houve tempo para Chico contar casos – como o do avião e o da bola de loteria – e até mesmo ser (na linguagem atual) tietado por um dos entrevistadores.

Também foram abordados temas ligados à doutrina espírita como reencarnação, mediunidade, manifestações de espíritos. E coisas que, confesso, nunca havia pensado antes: como a cremação dos mortos, o transplante de órgãos, movimento hippie à luz do espiritismo.

Chico revelou que o orientador espiritual dele, Emmanuel, e outros companheiros de fé estavam lá para acompanhá-lo e ajudá-lo na entrevista. Fez questão de deixar claro que era um instrumento para que a mensagem fosse transmitida, um intermediário. Não gostava dos elogios exagerados, falou com clareza, sem confrontar nenhuma outra religião ou crença pessoal de quem estivesse lendo ou perguntando.

E as respostas de Chico sempre prezam pela lembrança de que o ser humano deve buscar os meios e caminhos para se tornar melhor. Às perguntas que citavam dores e sofrimentos (como a do ator Blecaute), ele confortou lembrando que a dor tem uma finalidade nas nossas vidas e sem oferecer milagres nas respostas. 
“Mas, a vinculação do amor, esta não terminará nunca porque o amor é presença de Deus. E o amor continuará a nos unir, uns aos outros, para sempre e nos amaremos cada vez mais. Agora, vamos educar o amor porque não temos sabido amar uns aos outros conforme Jesus nos amou”. 
Antes de encerrar, uma nota, o organizador deste livro, Saulo Gomes, desencarnou em 24 de outubro de 2019, aos 91 anos. Sempre jornalista, bom contador de histórias e conhecido como “o repórter de Chico”, por ter conquistado a confiança do mineiro ressabiado com a imprensa. 
“Essa convivência me fez entender o verdadeiro sentido da amizade. Aprendi com Chico que a paciência e a humildade nos fazem mais fortes para a vida”, narrou Saulo na abertura do livro.
Saulo e Chico Xavier - detalhe da foto que abre o livro 

É incrível como que uma entrevista feita em 1971 consegue dialogar com 2020 em vários aspectos. Seja no micro – referente às experiências de quem lê – ou no macro – várias situações que enfrentamos em sociedade. Muito obrigada pelo conforto e inspiração, Chico. Seguirei estudando e aprendendo.

- Links: Goodreads livro e autora; Skoob.

Arrivederci!!!

Beta
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