sábado, fevereiro 20, 2021

Ciao! 

Disponível na Amazon  

Mais um livro da Meta de Leitura  

O livro me ganhou no título. Passei um bom tempo na minha vida perseguindo um ideal de perfeição que nunca alcançaria, pelo motivo óbvio: não existe. 
É bom saber que não estou sozinha nesta caminhada de encontrar o melhor rumo na vida real. 

A vida perfeita não existe – Daiana Garbin – Editora Sextante 
(2020)

“Oi, meu nome é Daiana e por muitos anos me senti insuficiente, inadequada e fracassada. Era como se dentro de mim existisse um buraco impossível de ser preenchido. Sim, eu sei que pode parecer estranho começar um livro assim. Mas, depois de muito refletir, escolhi exatamente esta frase para começar porque sei que você também se sente desse jeito. E provavelmente finge que está feliz, que é segura e realizada, como eu fiz quase a vida toda. Mas só você sabe quanto sofre com a insuficiência, a inadequação e a sensação de desamparo”. 

Este parágrafo poderia ter sido escrito por mim, há alguns anos. Como Daiana diz aí e detalha em outros pontos ao longo do livro, a gente se “conforma”, finge que está feliz e segue em frente. No entanto, mais cedo ou mais tarde, a bomba estoura. No meu caso, o fato de ler compulsivamente era um dos sintomas da fuga da realidade a todo custo. Depois vieram vários problemas de saúde aparentemente do nada, até que finalmente veio o colapso e o fato que eu tinha o combo depressão, ansiedade e pânico. 

Agora estou melhor, fazendo terapia, tratamento e me cuidando espiritualmente. Estou perfeita? Não. Porque não há perfeição – há algo que não é possível de atingir. E isso contribuía para causar sofrimento. Ninguém merece viver desta maneira. No entanto, isso acontece. Por diferentes motivos, a gente se pune, sofre por não ter ou não ser o que a gente pensa merecer, está convicto de que todo mundo tem uma vida melhor e perfeita. Somos sufocados pela inveja, por desvalorizar a si mesma(o), por termos vergonha, achar que somos ou o que temos é insuficiente, por nos autopunirmos por culpas e ressentimentos. Não sabemos lidar com as dores nem sempre assumimos as responsabilidades das nossas escolhas.

Entramos em um modo de frustração porque não existe felicidade constante. Um filme excelente que aborda este tema é Divertidamente, da Pixar (se ainda não viram, vejam). Daiana cita várias referências de pesquisadores e autores que se debruçaram sobre este tema que abre as portas para tanta angústia. E ela destacou que quem se sente assim não está sozinho: várias pessoas compartilharam com ela seus dramas que convergem para isso. E compartilha sugestões de como podemos superar essa armadilha. 

“Precisamos abandonar essa ideia de perfeição, porque ela é inatingível, e começar a pensar sobre o que o sentimento de culpa quer nos ensinar. A grande mudança na minha vida aconteceu quando finalmente tive a coragem de parar de me vitimizar pelas culpas que eu sentia e passei a refletir sobre a minha responsabilidade pelos meus erros, escolhas, fracassos e atitudes”. 

Em alguns casos, a ajuda especializada será necessária: contei ali em cima, eu faço terapia e os tratamentos específicos. Daiana se encontrou na meditação. Eu recuperei a minha fé. A buscar uma vida mais saudável, respeitando limites, assumindo a responsabilidade, lidando com fracassos. Não é fácil. Mas é melhor que ficar eternamente frustrada procurando por algo que não há. 

O livro de Daiana ressoa em nós, a gente se identifica com as dores, as vergonhas, as imperfeições. Não é um puxão de orelha, é uma confidência. É alguém que esteve neste lugar e procurou entender o que era para descobrir como sair do modo odioso e passar a viver no modo respeitoso. Esta mudança de atitude não é fácil, mas é possível e ajuda a lidar com o sofrimento que a gente acrescenta de forma voluntária e até desnecessária à nossa vida.                                                    

- Links: Goodreads livro e autora; site da autora; Skoob; mais dela no Literatura de Mulherzinha. 

Arrivederci!!! 

Beta

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