domingo, março 14, 2021

Ciao!


 

Não deixa de ser curioso como que a gente consegue complicar as coisas na adolescência. Mas só descobre isso quando se torna adulta e passa a se complicar com outras coisas...

Depois de anunciar o livro no #VemAí, finalmente a resenha chegou ao Literatura de Mulherzinha.

O plano perfeito para dar errado – Cameron Lund – Faro Editorial 
(The best laid plans – 2020) 
Personagens: Keely Collins e Andrew Reed & amigos (ou nem tanto assim) 

É o último ano do ensino médio dos alunos de Prescott. Keely tem uma festa surpresa de aniversário que rende ainda mais surpresas. Acostumada a ficar sempre à parte, ela se vê desejando Dean, com quem trabalha em uma videolocadora. No entanto, por ser virgem, teme que ele não a queira ao saber disso. E a partir de uma sugestão, pensa ter encontrado a solução perfeita. A partir disso, é eita atrás de eita, com as confusões sentimentais, a necessidade de pertencimento, as rivalidades, incertezas, dúvidas e competições, antes do baile de formatura e do fim desta etapa da vida deles. 

Comentários: 

Não estou à espera do casamento. Nem sequer estou à espera do amor. O que quero é respeito e confiança. Quero ter certeza de que, seja lá quem for a pessoa com quem eu vá transar, ela me fará sentir segura, não me trocará por uma garota do terceiro ano do ensino médio na aula de francês deles, não deixará de falar comigo de novo ou contará a todos na festa em questão de minutos. Acho que não consigo aguentar uma humilhação pública como Danielle. Aliás, acho que não deveria ter que aguentar”. 

- Keely sempre foi uma garota que destoava do grupo, pelos interesses e pela forma de agir. Tinha em Andrew o melhor amigo de toda a vida e em Hannah a outra pessoa em quem confiava. Estava no grupo com as populares Danielle e Ava, de quem não poderia ser mais oposta. 

- A festa surpresa que quase saiu do controle deixou consequências para Andrew e para Keely. Uma situação constrangedora de machismo normalizado no grupo de amigos. Um mal-entendido com os pais e a obrigação de conseguir um emprego. 

- Isso leva Keely para trabalhar em uma videolocadora, onde ela conhece Dean – que ela e as amigas chamam de James Dean por motivos óbvios. E ele demonstra estar interessado por ela, o que a surpreende, porque nunca ninguém antes a percebeu desta forma. Mas ele é mais velho, está na faculdade. Ela ainda é a garota do ensino médio. Ele espera que o relacionamento chegue à intimidade. Ela tem dúvidas se a falta de experiência vai tornar tudo um horror e ele nunca mais vai querer vê-la. 

- Aí vem a ideia de O Plano: pedir ao amigo Andrew para tirar a virgindade dela. Ele se tornou um garoto atraente, sempre estava com uma garota por perto. Ela confiava nele para resolver o problema sem tanto constrangimento. Só que a ideia se revela não tão perfeita assim. Esse parágrafo está no resumo oficial do livro e, obviamente, não vou dar spoiler do que acontece em seguida. 

- O fato é que é um livro com personagens adolescentes vivendo os dramas comuns a esta faixa etária: terminar o ensino médio, ir para a faculdade, as relações amorosas e como lidar com a sexualidade. Com as devidas diferenças entre Brasil e Estados Unidos, algumas coisas não têm fronteiras para acontecer: seja a veracidade ou a falsidade dos laços estabelecidos neste período. 

Não é uma corrida, Collins. 

Tem certeza?

Porque foi assim que me senti até agora: o colégio é uma grande competição, e eu estou perdendo”. 

- E as pressões que as e os adolescentes enfrentam impostas pela sociedade, pela família, pelos grupos onde estão inseridos. No futuro, a gente olha e pensa “por que fiz tal coisa?” ou “ai que vergonha” ou “ih, nem era pra tudo isso”. Só que isso só vem depois, com tempo, um tantinho de maturidade e de mais gentileza conosco mesmo. 

- Os personagens são mais do que aparentam, o que faz a gente se lembrar de que temos uma visão parcial sobre os outros – o que abre espaço para muitas surpresas e reviravoltas. E como vocês podem prever, sentimentos são um trem muito complicado. Muitas vezes a gente não se dá conta de algo que está dando cambalhotas debaixo do nosso nariz e, quando percebe, nem sempre dá para recuperar o tempo. 

- Keely, Andrew, Hannah, Danielle, Ava, Chase e os amigos (ou nem tanto) tem muito a aprender. E este último ano no ensino médio em Prescott vai fazer com que eles pensem, sintam, sofram e vivam. Afinal de contas, é assim que a gente aprende na vida, né? Gostei do jeito da autora contar histórias, das referências cinematográficas, do relato machista e misógino que ainda vemos por aí, dos micos e situações constrangedoras e do fato que há planos que podem dar errado para apontar o caminho onde dão certo, né? 

- Links: Goodreads livro e autora; site da autora; Skoob; mais dela no Literatura de Mulherzinha. 

Arrivederci!!! 

Beta

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