sábado, março 20, 2021

Ciao! 

Escolhi este livro porque tenho a lembrança dos dias muito estranhos que vivi há um ano. Com a chegada da pandemia, o medo, as ruas vazias, lojas fechadas. Um clima de filme futurista onde só acontecem coisas ruins. Desde então, me apoio na fé contra a incerteza sobre o amanhã. 

O amor não se isola: um diário com histórias, reflexões e algumas coincidências – Maria Beltrão – Máquina de Livros
(2020) 

Em novembro do ano passado, pouco antes do meu aniversário, #MadreHooligan leu no jornal uma entrevista com a Maria Beltrão. Era o lançamento do livro dela, escrito a partir de anotações de um diário. Típico livro que eu gosto, mas #MadreHooligan não é muito chegada. Neste caso, ela interessou. Comprei numa promoção que dava direito a vir autografado. Um mimo a que me permiti neste período tão estranho. 

Desde então, fiquei enrolando, se devia ou não ler agora. Estamos em um momento crítico, overdose destas notícias não importa qual cômodo da casa eu esteja. Mesmo assim, considerei que seria bom ouvir a voz de outra pessoa sobre a vida em 2020. 

Não me decepcionei. Maria conseguiu transpor para o livro jeito franco que vemos na televisão. Algumas histórias são engraçadas e bem cotidianas. Eu também estou com saudades de pessoas próximas que parei de ver pela questão de segurança para nós. Saio de casa o mínimo possível – supermercado, contas, médico, farmácia e nas poucas vezes em que trabalhei presencialmente. E não consigo ficar andando na rua por mais de 2h. É meu limite. Mais que isso, começo a ter agonia e preciso voltar para casa. 

Ela conta sobre as lembranças de infância, o relacionamento com os irmãos, com o tio Milton, com as amigas. Os planos que foram suspensos, os aniversários celebrados de forma diferente. A rotina pesada de divulgar notícias – não muito boas na maioria dos dias. Os momentos em que as palavras somem. Os momentos em que transbordam. As pequenas conquistas diárias – fazer exercícios é uma delas. 

Outro ponto que me divertiu foi o gosto de Maria por musicais. E o hábito da mãe em ver uma versão de Noviça Rebelde – na maioria das vezes, eu assisto à mesma versão. Aliás, ainda falando sobre filmes, ela assistiu a uma comédia romântica que eu adoro (já até escrevi sobre ela pro Livrólogos). Ela também canta, ajuda a espantar os males, né? O texto sobre as lembranças que denunciam a idade também é bem divertido.

O meu lado jornalista adorou as histórias dos bastidores do Estúdio I, que ela apresenta na GloboNews. Aliás, o prefácio é do Octavio Guedes, o Guedinho, um dos comentaristas favoritos de #MadreHooligan. O motivo? Ele explica tudo de uma forma que ela entende. E de bônus, ele é botafoguense. 

Voltando ao diário da Mariazinha, a fé é um ponto importante. Maria é católica. Inclusive o livro veio com um marcador e um santinho do Sagrado Coração de Jesus. Independente da religião, o relato dela de buscar amparo na fé é algo que aconteceu comigo também. Não sei vocês, mas ajuda a enfrentar a sensação de vazio que a falta de perspectivas de um final feliz desencadeada pela situação atual. Fé e afeto, mesmo à distância, salvam vidas. Pode crer. 

Ah, evitei de fazer citações, porque o legal é ler o livro todo no ritmo dos pensamentos escritos pela Maria. Aliás, depois de ler ouvindo a minha playlist do Il Volo, posso garantir que uma experiência muito boa. 

- Links: Goodreads livro e autora; site da editora; Skoob; mais dela no Literatura de Mulherzinha. 

Arrivederci!!!

Beta

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