sexta-feira, abril 16, 2021

Ciao!




Estamos aqui para criar vínculos com as pessoas. Fomos concebidos para nos conectar uns com os outros. Esse contato é o que dá propósito e sentido à nossa vida, e, sem ele, sofremos”. 

Hoje é o dia do aniversário do Literatura de Mulherzinha: 16 anos. Não foi à toa. Escolhi de propósito porque tem tudo a ver com a jornada do blog e da Mulherzinha que o escreve. Espero não me estender muito porque, de novo, o livro se tornou um festival de post-its coloridos. 

A coragem de ser imperfeito: Como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é – Brené Brown – Sextante 
(Daring Gratly - 2012) 

- Depois de ler Eu achava que isso só acontecia comigo: como combater a cultura da vergonha e recuperar o poder e a coragem e A arte da imperfeição, assim que pude fui atrás de A Coragem de ser Imperfeito. 

- O que me encanta nos livros da Brené Brown é como ela se dedicou e conseguiu pesquisar sentimentos que todo mundo sente, mas que são difíceis de se nomear, qualificar e mensurar. Ela conseguiu explicar a armadilha em que vivemos diariamente ao se deixar guiar pela vergonha ou pela culpa. E como isso pode pesar em várias decisões das nossas vidas. 

- Ler romances de banca é algo taxado como vergonhoso por muitas pessoas. Ler autoajuda também. Levante a mão os seres abençoados que nunca ouviram um “Mas você lê isso?!” Eu perdi a conta das vezes que ouvi – e das vezes que fui didática ou sem paciência na resposta. 

- Brené analisa neste livro que a necessidade de vínculo faz com que as pessoas vivam sob constante questionamento se são suficientes, se são fortes, se são perfeitas, se atendem ao “padrão” por gênero (e quem destoa escuta a recriminação: “isso não é coisa de mulher” ou “homem não faz isso!”). A vergonha causa isolamento. Com medo disso, a gente adota escudos para se defender e até mesmo passa a praticar a vergonha e a culpa contra os outros para se sentir aceito. 

- Isso ocorre na vida pessoal e na profissional, além dos comentários vindos no ambiente virtual – não importa o local, o julgamento (justo ou não) por nossas ações pode nos encontrar e intimidar. Afeta as relações entre pais e filhos, entre casais, entre parentes, na escola, no trabalho... Reproduzir estes comportamentos são uma péssima ideia – mas muito comum. Não resolve o problema de quem pratica e ainda pode criar traumas em outras pessoas. 

Não podemos dar às pessoas o que não temos. Quem somos importa infinitamente mais do que o que sabemos ou o que queremos ser”.

- Brené analisa como as pessoas encaram a própria vulnerabilidade e de que forma podem agir para superar as armadilhas da vergonha. O medo de lidar com a dor, a rejeição à alegria, a sensação de que não é/não tem o bastante estão ali no entorno, tornando tudo mais grave em diferentes instâncias no que diz respeito ao ser humano.  

- O título original traduzido livremente como “Ousando grandiosamente” destaca que só a construção da resiliência à vergonha e à culpa, unidas ao ato de confrontar ambas e resolver, permite que possa ser construída uma coragem interior. Não para agir de forma insensata, mas para ter um olhar mais otimista, na medida do possível, sobre si mesmo e como se posiciona diante dos acontecimentos da vida.  

- As palavras dela ressoam em mim porque, como já narrei em outras resenhas, passei anos tentando ser perfeita e impecável, para descobrir que a minha melhor versão era justamente a pessoa com falhas. A suposta perfeição me trouxe problemas de saúde. E a partir do momento que comecei a encarar as causas desta busca impossível que só me frustrava, fui me libertando de algumas amarras. Ainda tenho muito a percorrer, faço terapia para isso. Livros como o da Brené Brown me ajudam a enxergar o quanto já caminhei e quanto mais longe posso chegar.  

- Já pensou, se em 16 de abril de 2005, eu não tivesse criado um blog por vergonha de admitir que lia romances de banca? Foi uma das vezes em que não me deixei guiar pelo que os outros pensavam. Hoje vejo o quanto valeu a pena. Deu e dá trabalho? Sim, muito. Mas me trouxe tantas coisas e pessoas boas que compensam.

Viver plenamente quer dizer abraçar a vida a partir de um sentimento de amor-próprio. Isso significa cultivar coragem, compaixão e vínculos suficientes para acordar de manhã e pensar: ‘Não importa o que eu fizer hoje ou o que eu deixar de fazer, eu tenho meu valor’. E ir para a cama à noite e dizer: ‘Sim, eu sou imperfeito, vulnerável e às vezes tenho medo, mas isso não muda a verdade de que também sou corajoso e merecedor de amor e aceitação”. 

- Links: Goodreads livro e autora; Skoob; mais dela no Literatura de Mulherzinha. 

Arrivederci!!! 

Beta

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